Quem Mexeu no Meu iPod?






31.12.15

Any Shuffle 82 Season Finale 2015

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Anteriormente em Season Finale: 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014.



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01 Chuck Jackson - Any Day Now
02 Aimee Mann - One
03 Cat Power - The Moon
04 Sufjan Stevens - The Only Thing
05 Primal Scream - (I’m Gonna) Cry Myself Blind
06 Elliot Smith - King’s Crossing
07 Keaton Henson - Flesh and Bone
08 Coldplay - We Never Change
09 PJ Harvey - We Float
10 Aimee Mann - Wise Up
11 Jeff Buckley - Hallelujah


To be continued...

22.12.15

Os Melhores Filmes de 2015 por John Waters

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O sempre divertido cineasta John Waters mais uma vez selecionou seus filmes favoritos de 2015 de acordo com seu gosto excêntrico.



10 Love (Gaspar Noé)
A primeira seleção oficial do Festival de Cannes que exibe linguetes heterossexuais hard-core – em 3D! Apenas. Agradeço a Deus por Gaspar Noé.

9 Fly Colt Fly: Legend of the Barefoot Bandit (Adam Gray e Andrew Gray)
Um documentário sobre um crime verdadeiro que se movimenta do mesmo jeito que o “Bandido Descalço” adolescente fazia a noite! Usando animação, material de noticiários e encenações realistas (você consegue até ver ele mexer os dedinhos dos pés), Fly Colt Fly vai fazer você entender porque esse garoto que rouba avião virou um herói popular nacional.

8 Tangerine (Sean Baker)
Última saída para Los Angeles. As aventuras de uma trans underground muito bem filmadas que vale a pena ver só pelos figurantes assustadores!

7 The Diary of a Teenage Girl (Marielle Heller)
Uma comédia poderosa, realista e surpreendentemente bem atuada sobre sexo entre adultos e adolescentes que não é nada bizarra, mas autêntica, corajosa e totalmente imprevisível!

6 Carol (Todd Haynes)
Talvez a única maneira de ser transgressor nos dias de hoje é ter um bom gosto arrasador! Este melodrama de sapatão maquiada tipo Lana Turner-encontra-Audrey Hepburn é tão antiquado que eu me senti um ano mais velho depois de assistir. Isso é quase como renascer!

5 Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller)
Filmes de grande orçamento e que se sustentam também pode ser arte, e esse show incontrolável de demolição do tipo derby é francamente insano desde o momento que ele decola!

4 Tom na Fazenda (Xavier Dolan)
Uma história de amor do tipo Genet entre um hipster espertinho e o irmão dominador e perigosamente enrustido do seu namorado morto que uma vez rasgou a boca de um homem que mexeu com seu irmão. Eu achei sexy.

3 The Forbidden Room (Guy Maddin e Evan Johnson)
O filme fake-mudo mais loucamente inovador e engraçado de gargalhar de todos os tempos com um design de som que deveria ganhar o Oscar!

2 Cinderella (Kenneth Branagh)
Sim, você me ouviu, CIN-DE-RE-LLA. Eu FUCKING amo esse filme da Disney!

1 Helmut Berger, Actor (Andreas Horvath)
Talvez o melhor filme do ano é também o pior? O antes galã e amante de Visconti, Helmut Berger, agora com 71 anos e que as vezes se parece com Marguerite Duras, se descabela e da pití em seu apartamento caindo aos pedaços enquanto a empregada lava a roupa suja sobre sua vida triste. As regras documentais de privacidade são todas quebradas quando nossa atração principal tira toda a roupa, se masturba e realmente goza na frente das câmeras. “Deuses Malditos”, mesmo!



Relembre os anos de 2008,2009,2010,2011, 2012, 2013 e 2014

Aproveite e ouça a mixtape especial "This Filthy Shuffle" em homenagem aos 50 anos de carreira de John Waters.

26.11.15

Special Shuffle 08 Go Ask Alice

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A psychedelic rock mixtape inspire and based on Alice in Wonderland by Lewis Carroll. Please: headphones on.


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01 Jefferson Airplane - White Rabbit
02 Gandalf - Can You Travel in the Dark Alone
03 The Rolling Stones - In Another Land
04 The Savage Resurrection - Someone’s Changing
05 The Beatles - I am the Walrus
06 Pogo - Alice
07 Gal Costa - Objeto Sim, Objeto Não
08 Animal Collective - Who Could Win a Rabbit
09 Marilyn Manson - Eat Me, Drink Me
10 Siouxsie and the Banshees - You’re Lost Little Girl
11 Jane Birkin & Bryan Ferry - In Every Dream Home a Heartache
12 Tom Waits - Alice
13 T-Rex - Teenage Dream


1.11.15

Any Shuffle 81 Día de los Muertos 6

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A diabolic mixtape.


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01 Antony & the Johnsons - Shake that Devil (Ave Satani)
02 The Rolling Stones - Sympathy for the Devil
03 Elvis Presley - (You're) the Devil in Disguise
04 Raul Seixas - Rock do Diabo
05 The Beatles - Devil in her Heart
06 Nick Cave and the Bad Seeds - Red Right Hand
07 Beck - Devil's Haircut
08 The B-52's - Devil in my Car
09 Morrissey - Satan Rejected My Soul
10 Primal Scream - Miss Lucifer
11 Ozzy Osbourne - Mr. Crowley
12 Metallica - Devil's Dance
13 Van Halen - Runnin' with the Devil
14 Iron Maiden - The Number of the Beast
15 Marilyn Mason - Antichrist Superstar
16 Os Mutantes - Ave, Lucifer
17 Johnny Cash - Mean as Hell
18 Robert Johnson - Crossroad Blues / Me and the Devil Blues

Ouça também: Día de los Muertos, Día de los Muertos II, Día de los Muertos III, Día de los Muertos IV e Día de los Muertos V

5.8.15

Any Shuffle 80 Distortions

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They told us to focus on. But they never told us what focus is. Every hope starts and ends with a better future. A lovely miscellaneous mixtape.


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01 Nicolas Godin - Orca
02 El Último Vecino - Un Sueño Terrible
03 Clinic - Distortions
04 Blur - Pyongyang
05 Jakko Eino Kalevi - Don't Ask Me Why
06 Dorian Concept - Tried (Now Tired)
07 Portable feat. Lcio - Surrender
08 Moby - The Right Thing
09 TrentemØller - Always Something Better
10 David Bowie - A Better Future (Air Remix)

2.6.15

Any Shuffle 79 Another Songs for Mad Men

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The third and last mixtape for Mad Men.


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Intro: Bert Cooper - The Best Things in Life Are Free
01 Peggy Lee - Is That All There Is
02 Carole King - It’s Too Late
03 Sergio Mendes & Brasil 66 - Going Out of My Mind
04 Dusty Springfield - Little by Little
05 The Small Faces - All or Nothing
06 James Brown - It’s a Man’s Man’s World
07 Captain Beefheart & The Magic Band - I’m Glad
08 The Beatles - Tomorrow Never Knows
09 The Zombies - This Will Be Our Year
10 Simon and Garfunkel - Somewhere They Can’t Find Me
11 Joni Mitchell - Both Sides Now
12 Nick Drake - Road
13 Bob Dylan - Don’t Think Twice, It’s Alright
14 Nico - The Fairest of the Seasons
End: I’d Like to Buy the World a Coke

Also listen: Songs for Mad Men and More Songs for Mad Men.

19.5.15

Any Shuffle 78 X

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Depending on the problem, the task may be to find any solution (finding a single solution is enough) or all solutions. When searching a solution, one or more free variables are designated as unknowns. One of those slow heart beating nights. Letting my mind wanders and imagining if time moves in different loop. Solve for x.


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01 Phoenix - Playground Love (Air Cover)
02 Alice Jemima - Nightcall (Kavinsky Cover)
03 Joy Wellboy - Darklands (The Jesus and Mary Chain Cover)
04 SOAK - Sea Creatures
05 SILVA - É Preciso Dizer
06 Tycho - Awake
07 Ulrich Schnauss - Nothing Happens in June
08 Zero 7 - The Colour of Spring
09 Astronauts - Slow Days
10 Kid Koala & P Love - Moon River

Ouça também: The Art of Falling Apart

13.5.15

Any Shuffle 77 Some Grrrls

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Grrrls, guitarrrs and rrrock. Respeita as mina.


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01 Best Coast - Feeling Ok
02 Waxahatchee - Under A Rock
03 Courtney Barnett - Pedestrian At Best
04 Sleater-Kinney - A New Wave
05 Far From Alaska - Dino Vs. Dino
06 Sleigh Bells - Riot Rhythm
07 Bikini Kill - Rebel Girl
08 X-Ray Spex - I Can’t Do Anything
09 The Slits - I Heard It Through The Grapevine
10 Blondie - Dreaming
11 Patti Smith - So You Want To Be A Rock ’n’ Roll Star
12 Savages - Dream Baby Dream

15.4.15

Any Shuffle 76 Songs to Walk Home By Vol. 2

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Tenho uma maneira de me separar dos outros. É simples, mas efetiva. Mesmo quando você estiver numa rua movimentada ou nas horas de maior movimento, colocar meus fones de ouvido e ouvir alguma música me faz sentir que estou sozinho no meio do nada. Não importa quantas pessoas estejam ao meu redor, eu sinto como se estivesse em outra parte do mundo, no meu lugar. Tente.


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01 Clor - Goodbye
02 Slow Club - Everything is New
03 The Decemberists - A Beginning Song
04 Robert Plant - Rainbow
05 Jack White - Alone In My Home
06 The Bluetones - Slight Return
07 Gaz Coombes - 20/20
08 The Charlatans - Come Home Baby
09 Houndstooth - No News From Home
10 Noel Gallagher’s High Flying Birds - Ballad of the Mighty I
11 Jamie T - Don’t You Find
12 Springtime Carnivore - Name On A Matchbook
13 Joy Zipper - Thought’s A Waste of Time
14 Spiritualized - I Think I’m in Love

Ouça também: Songs to Walk Home By Vol. 1

9.4.15

Any Shuffle 75 2005

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A mixtape with songs that I used to listen on 2005.


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01 Belle & Sebastian - The State I Am In
02 Bob Dylan Mr. Tambourine Man
03 Red Hot Chili Peppers - The Zephyr Song
04 Coldplay - Yellow
05 The Postal Service - Clark Gable
06 Starsailor - Silence is Easy
07 Snow Patrol - Run
08 Travis - Turn
09 Gary Jules & Michael Andrews - Mad World
10 Radiohead - Fake Plastic Tree

25.3.15

Favoritos 2014 | Filmes

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Em ordem alfabética.


20.000 Dias na Terra (20,000 Days on Earth, Iain Forsyth e Jane Pollard)
Este documentário (podemos chama-lo de documentário?) sobre o 20.000º dia da vida do cantor e compositor Nick Cave, esconde ao mesmo tempo em que revela seu personagem, que se disfarça de ficção. E sua genialidade está nesta forma inovadora de contar história – entre memórias, entrevistas com amigos e psicanalista, sua família, seus colegas de músicas. Abrange o mistério que é Nick Cave, ao mesmo tempo em que o protege – um retrato sobre um artista e um homem de meia idade.


Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, Jim Jarmusch)
Filmado de forma paciente, sem pressa e com muito estilo por Jim Jarmusch, este não é apenas um filme de vampiro. O horror sobrenatural, a mitologia romântica e o amor eterno passam naturalmente durante o filme. No entanto, o filme tem um espírito romântico grosseiro que emerge da escuridão de qualquer maneira, amarrado a uma relação central que é tão familiar e de longa duração que pouco precisa ser articulado. Se você entrar no clima de Jarmusch, com seus pensamentos filosóficos, é recompensado com um belo filme sobre superar a mortalidade mesmo quando a motivação para isso desaparecer. Quando o amor é eterno, a paixão se esvai em uma força vital mais permanente e sustentável. Tilda Swinton e trilha sonora são dois destaques a parte.


Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or The Unexpected Virtue of Ignorance, Alejandro González Iñarritu)
Com o excelente cinematógrafo Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida), Iñarritu filma virtualmente todo o filme como se fosse uma cena longa e contínua de forma genial e com atores que dão conta desta função (Michael Keaton, perfeito e Emma Stone, surpreendente). O sucesso está em carregar toda a tensão durante as duas horas, colocando o espectador numa panela de pressão que é o personagem Birdman, somando com a trilha sonora perseguidora e inesquecível do filme. Esta parábola sobre fama e ambição me deixou com suspeita sobre o seu conteúdo e o que ele significa, Iñarritu, assim como seu Birdman, é um ególatra – sobre o que o cineasta quer que acreditemos. O melhor dos visuais, atores fodas, cenas mirabolantes e perfeitas - mas de conteúdo, só vale a pena se lembrarmos de que é tudo faz de conta. Se acreditar...


Blue Ruin (Blue Ruin, Jeremy Saulnier)
O novato diretor se inspira nos irmãos Coen e em Tarantino, mas conta de forma polida e econômica uma simples trama de vingança com a velha moral de que violência gera violência. O melhor está na surpresa em conhecer a razão de seu protagonista e os desdobramentos deste thriller violento e sangrento com bons momentos de humor negro sobre crimes passionais, realizados por seres humanos falhos, mas tragicamente relacionáveis, enquanto não há a possibilidade de estancar o fluxo de sangue.


Boyhood (Richard Linklater)
Como uma fotografia que vai se revelando num quarto escuro, esta obra prima de Richard Linklater tem seu mérito carregado no processo de produção do filme, que levou 12 anos para ser feito ao contar as experiências de um garoto dos seis anos de idade até a fase adulta. A experiência aqui é entregue tanto para quem está vendo o protagonista passar por fases da vida não tão universais, mas específicas para ele, tanto para o diretor Richard Linklater que montou e remontou o filme por meio de suas próprias experiências. São nestas singularidades e nessa ambição que está o mérito deste distinto filme.


Calvary (John Michael McDonagh)
Um padre irlandês é ameaçado de morte com hora e local durante uma confissão. Assim começa Calvary, ancorado pela sensacional atuação de Brendan Gleeson no papel principal e pelos ótimos personagens desta mistura de história de detetive com um humor seco, tipicamente irlandês, que ao questionar a fé com metáforas bíblicas consegue passar uma história mais espiritual e emocional do que as últimas adaptações inspiradas no "livro sagrado".


Cássia (Paulo Henrique Fontenelle)
No meio de várias adaptações e biografias de músicos brasileiros, o que mais se destaca é este documentário simples, sincero e emocionante de uma das vozes mais marcantes da música, Cássia Eller. Entre entrevistas de amigos e parceiras, a cantora vai sendo construída e descontruída na sua frente numa homenagem à sua altura. Impossível não se emocionar.


Ernest & Celestine (Benjamin Renner, Stéphane Aubier, Vincent Patar)
Apesar da mensagem batida de aceitar os outros e seguir seus sonhos, esta bela animação feita em parceria entre a França e Bélgica, realizada com esmero artesanal e cheia de detalhes é algo especial. Sua animação de linhas simples parecida com aquarela, lembram storyboards dos filmes de Miyazaki, e assim como seus desenhos, Ernest & Celetisne tem autenticidades e emoções que não são forçadas, equilibrando a raiva descontrolada de Ernest com a melancolia cativante infantil de Celestine. Destaque também para a sequência surreal do pesadelo e seu final intenso.


Finding Vivian Maier (Charlie Siskel e John Maloof)
O mistério de Vivian Maier começa com a compra de uma caixa recheada de negativos a partir de uma audição pública num leilão de depósitos abandonados. John Maloof, o colecionador dono do lote, começou a digitalizar os negativos e se deparou com uma grande coleção de fotografias de rua de imenso talento. Durante sua vida, a babá Vivian Maier colecionou milhares de negativos e filmes sem revelar de fotografias urbanas, focadas em crianças, minorias e personagens negligenciados e oprimidos do mundo inteiro, em especial de Chicago. Quem foi essa mulher tão estranha e reclusa? A resposta se encontra neste quebra-cabeça documental reunido de forma intrigante e fascinante.


Foxcatcher (Bennett Miller)
Com ritmo lento e paciente, este drama de tragédia anunciada baseada na história real do milionário freak e excêntrico John du Pont (Steve Carell, numa das atuações do ano) que patrocina o campeão olímpico de Wrestling Mark Schultz (Channing Tatum) e seu irmão Dave Schultz (Mark Ruffalo) tem um clima hipnótico e sombrio, com cenas frias e desconcertantes (muitas vezes assustadoras) onde o crime é tratado como uma reflexão tardia. Dirigido de forma precisa e cuidadosa, onde nenhum detalhe é irrelevante para construir tão bem o clímax do filme.


Frank (Lenny Abrahamson)
Engraçado, esquisitinho e tocante. Uma fábula de angústia e aspiração artística que medita sobre a fama e seus terrores, escondidos de forma metafórica no uso da máscara gigante que o protagonista Michael Fassbender usa e consegue exprimir verdadeiros sentimentos por trás dela e através de sua linguagem corporal. Certas músicas não são para todos, algumas pessoas estão quebradas demais para serem consertadas e alguns aspirantes a artistas estão em melhor situação de plateia.


God Help the Girl (Stuart Murdoch)
O que antes você só conseguia imaginar por meio das músicas do diretor e líder do grupo Belle and Sebastian, Stuart Murdoch, agora é possível ver e se deliciar neste divertido romance musical feito em cima do disco de mesmo nome lançado em 2010. Charmoso e em estilo de vídeo clipe, é fantasioso em muitos momentos – o que não é uma coisa ruim, ainda mais acompanhado com a trilha do grupo britânico.


Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, James Gunn)
O blockbuster do ano é também o filme mais legal. Engraçado e com uma produção de design extremamente bem feita, esta aventura espacial que mistura elementos de ficção científica B recheados de referências de cultura pop é mais uma vitória da Marvel nos cinemas. Junte isso com ótimos personagens (Chris Pratt impagável), trilha sonora certeira com efeitos visuais vertiginosos que saltam para fora da tela. Que venha uma próxima aventura destes heróis alucinados.


Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Daniel Ribeiro)
Esta história é contada com tanta ternura, inteligência e honestidade, que tal como o assunto, primeiros beijos e melhores amigos, são difíceis de esquecer.


Ida (Pawel Pawlikowski)
Pause qualquer cena deste filme e você terá uma fotografia de tirar o fôlego. Esta obra-prima tem a sucinta finalidade de um acerto de contas. Um acerto de contas em que a raiva e o luto se misturam. Para uma jovem freira que nada sabe de si mesma e do mundo exterior, esta viagem através do passado é uma experiência de abrir os olhos. Imperdível.


Interestelar (Interstellar, Christopher Nollan)
Este épico espacial é notável. Christopher Nolan preenche a tela com imagens extraordinárias (tanto as terrestres, quanto as do espaço) – este é seu filme mais bonito. Um conto homérico, onde que por mais longe que podemos ir no cosmos, a nossa humanidade, nossa natureza de sobrevivência, necessidades e fraquezas, vão sempre viajar conosco.


Leviatã (Leviathan, Andrei Zvyagintsev)
Com uma fotografia linda e atores excelentes, o filme injeta diversos climaxes durante sua projeção ao invés de entregar tudo no final. Uma história brutal, carnívora e cheia de desilusão, que quebra todos os espíritos, um retrato corajoso e solitário sobre se rebelar contra o sistema, profundamente pessimista sobre a possibilidade dele nunca trabalhar em favor do povo. Poderia fácil se passar aqui no Brasil – mas ele é visto sob os olhos do governo Putin.


Life Itself (Steve James)
Baseado nas memórias do crítico de cinema Roger Ebert de mesmo nome, o diretor Steve James teve todo o apoio e o incentivo de Roger para documentar seus últimos dias de vida – um dos pontos mais fortes e emocionantes do documentário, que também serve como epitáfio.


Mapa para as Estrelas (Map to the Stars, David Cronenberg)
Esse é um filme assombrado por fantasmas, assim como Hollywood é assombrada pelo seu passado. E aqui, Cronenberg está mais brutal, numa crítica mais feroz ao showbusiness que Birdman, gradativamente ele fecha seu baú de humor negro e escancara toda a feiura destas vidas vazias e superficiais.


Ninfomaníaca Vol. I e Vol. II (Nymphomaniac Vol. I and II, Lars von Trier)
Lars von Trier é um jogador, um homem de marketing que só faz filmes para ele mesmo. Aqui ele anunciou um filme pornográfico. Mas o que se tem de mais explícito nos dois volumes de Ninfomaníaca são as metáforas espalhadas e analisadas durante o filme. Você pode assistir ao filme por 4 horas, mas conversaria sobre ele durante 14 horas. Joe (Charlotte Gainsbourg, magnífica) é uma personagem, assim como quase todos do diretor, em busca de um preenchimento à sua solidão, enquanto conta a sua história e divide sua solidão com seu ouvinte Seligman, outro solitário que vê as histórias de Joe por outros ângulos. E no melhor dos ângulos, o filme não se esforça em ter significados, mas sim, trata toda sua intelectualização como uma brincadeira que pode ser levada a sério, mas não precisa – assim como Lars von Trier.


O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson)
Wes Anderson é um dos diretores mais detalhistas, perfeccionistas e estilosos da última geração e a cada novo filme ele se supera em levar seus espectadores para os maravilhosos lugares que ele cria. E Hotel Budapeste é esteticamente perfeito, além de ter uma história que viaja através do tempo, sem se perder nunca. Um filme-cupcake exuberante, sem ser enjoativo.


O Jogo da Imitação (The Imitation Game, Morten Tyldum)
Este drama de suspense se revela em pedaços de quebra-cabeça, de forma constante e lentamente, assim como seu protagonista. Uma história de triunfos e preconceitos que ressoa até os tempos de hoje sobre um homem que mudou o mundo e de como este mundo destruiu esse homem.


Praia do Futuro (Karim Ainouz)
Com uma fotografia linda, o diretor conta uma história sobre deslocamento, identidade, amor e seus custos – principalmente em como ela é contada, de forma contida onde o espectador é atraído para a criação de um significado.


Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, Damián Szifron)
Pequenos contos que surgem da genuína fúria vinda de um mundo arruinado. Tem um âmbito raro que consegue ser ridiculamente engraçado e profundamente trágico ao mesmo tempo. “Olho por olho e o mundo acabará cego”, o filme sugere. Mas enquanto esses malditos merecerem a vingança, talvez valha o sacrifício.


Snowpiercer (Joon-ho Bong)
Politicamente provocativo e visualmente espetacular, Snowpiercer é o melhor filme de ação de 2014, projetando os problemas de hoje numa ficção científica que se passa no futuro. Com sua narrativa estilo vídeo-game, liga a história dos personagens que continua mudando a todo o tempo. E só pela Tilda Swinton já vale o play.


Sob a Pele (Under the Skin, Jonathan Glazer)
Um experimento cinematográfico de ficção científica (com a ótima atuação da Scarlet Johanson) sobre como é ser humano pelos olhos de uma alienígena. Inebriante, estranho e sublime combina ideias sci-fi com efeitos visuais incomuns e uma atmosfera afiada de horror.


Uma Aventura LEGO (The LEGO Movie, Christopher Miller e Phil Lord)
O visual é espetacular e a tecnologia 3D é usada de forma inteligente e artística, e é tão engraçado e divertido que é difícil pegar todas as piadas que são disparadas rapidamente.


Whiplash (Damien Chazelle)
Eletrizante, é o filme musical mais sangrento que já vi. Oscila entre a tensão e a ameaça de violência e estoura em momentos viscerais poderosos que te atinge como um gancho de direita quando o personagem de J.K. Simmons (inesquecível) manda a banda tocar.

9.3.15

Special Shuffle 07 Fake Plastic Shuffle

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No último oito de março, o disco “The Bends” da banda britânica Radiohead completou 20 anos de lançamento. Segue esta mixtape especial com algumas das principais influências deste grupo que na época de 1995 já começava a mudar a música. Nesta primeira parte do especial, referências musicais que ajudaram a construir Radiohead nos primeiros anos com os primeiros demos e lados B de 1990 e os álbuns “Pablo Honey” (1993) e “The Bends” (1995), além de grupos e estilos que iriam voltam na discografia mais recente da banda. “The Bends” foi a ponte necessária entre as convenções pop do grupo e seu eventual papel como a mais audaz e influente banda desde Nirvana. Numa época de invasão grunge na terra da Rainha e da ascensão do britpop pelo mundo, o Radiohead conseguiu manter-se verdadeiros com seu espírito criativo incansável.

“Creep”, primeiro sucesso do grupo teve sua melodia inspirada (ou plagiada, chame como quiser) na música “The Air That I Breath”, do The Hollies. Não foi só o nome que o grupo de Oxford tirou dos Talking Heads, a visão e os experimentos de David Byrne e Brian Eno em relação a música estão presentes até hoje nos integrantes do Radiohead. O lado pop do primeiro disco teve ouvidos nos lançamentos americanos do R.E.M., enquanto as guitarras e vocais fortes dos Pixies e do Sonic Youth chegaram ao som do grupo britânico. O krautrock também tem forte presença na construção da música do grupo, assim como influenciou David Bowie na sua Trilogia de Berlim. As letras emocionais e confessionais vieram de seus conterrâneos Joy Division e The Smiths, misturando com melodias calmas e passivas como as de Tim Buckley e Nick Drake.


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01 The Hollies - The Air That I Breath
02 R.E.M. - Radio Free Europe
03 Talking Heads - Radio Head
04 Japan - Quiet Life
05 Can - Vitamin C
06 Joy Division - Shadowplay
07 The Smiths - How Soon Is Now
08 Magazine - The Light Pours Out of Me
09 Neu! - Hallogallo
10 Sonic Youth - Teenage Riot
11 Pixies - Where is My Mind
12 The Fall - C.R.E.E.P. (Peel Session)
13 Elvis Costello & The Attractions - I Hope You’re Happy
14 Swell - This is How It Starts
15 David Bowie - Always Crashing in the Same Car
16 Syd Barrett - Octopus
17 Suede - Sleeping Pill
18 Nick Drake - Day is Done
19 Tim Buckley - Sing a Song For Your
20 Jeff Buckley - Grace

10.2.15

Favoritos 2014 | Séries

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Em ordem alfabética.


Broad City
Imagine um “Girls” menos glamoroso e mais engraçado. Uma versão nova e até mesmo identificável de como é (tentar) ser hype numa cidade como Nova York. A série do Comedy Central que começou na internet criada pelas atrizes, comediantes e roteiristas Ilana Glazer e Abbi Jacobson (melhor timing cômico ever), narra as desventuras de duas melhores amigas, também chamadas Abbi e Ilana, que toleram os seus empregos de salário mínimo, companheiro de quarto que se masturba na sala de estar, parceiros sexuais medíocres, ou passam por jornadas árduas (e hilárias) como arranjar dinheiro para ir num show hypado ou transportar maconha pela cidade dentro da vagina para os cães farejadores não sentirem o cheiro. Tão desesperadas quanto bizarras, as situações das duas se equilibram com uma amizade doce e verdadeira o bastante para equilibrar a acidez da série. Broad City é reconhecer que nada é nunca perfeito e que apostar em si mesmo é o melhor investimento, sempre contando com uma ajudinha dos amigos.


Fargo
Apesar de ter o apoio dos irmãos Coen, fazer uma versão de TV de um filme aclamado pela crítica é pisar em terreno duvidoso. Mas eles conseguiram e provaram o contrário até para o mais cético. O criador Noah Hawley não só recriou a atmosfera do filme original, como também entregou uma narrativa bem amarrada pelos seus 10 episódios. A desconstrução do antiherói e pacato cidadão Lester Nygaard (Martin Freeman, ótimo) em um vilão como o agente do caos e fodão Lorne Malvo (Billy Bob Thorton, perfeito) te prende até o final. Junte isso aos outros personagens improváveis e à incrível experiência visual, usando a gelada Calgary como cenário para contar este capítulo do universo de humor negro trágico que é “Fargo”.


Game of Thrones
A quarta temporada se destacou por continuar com uma fórmula que funciona. As surpresas acabam não sendo surpresas – sabemos que o duelo entre o Montanha e Oberyn não ia acabar nada bem, que o ataque à Muralha ia ser um espetáculo numa escala raramente visto na televisão; talvez apenas o choque do acontecimento no “Purple Wedding” que ditou a trama dos Lannisters, principalmente o personagem Tyrion (Peter Dinklage) que lhe rendeu a melhor atuação da temporada no monólogo de seu julgamento, além de sua vingança espetacular que acabou em um trono que também não esperávamos. Que continue assim, com personagens que gostamos em aventuras onde é quase impossível esperar uma semana para ver o próximo episódio (imagina um ano inteiro)!


Girls
Finalmente Hannah tem louça pra lavar! Depois de uma segunda temporada horrível (salvando apenas 2 episódios), o cotidiano das garotas do título ganharam tramas mais interessantes e profundas, apesar das apostas serem mais baixas dos dramas da temporada anterior – e isso funcionou. O episódio “Beach House” é um bom exemplo (e um dos melhores) que apresenta bem um retrato sobre relacionamentos. E é isso que a criadora e escritora Lena Durham fez tão bem neste terceiro ano: amadureceu seus relacionamentos, seus personagens e suas histórias para serem contadas em menos de meia hora.


Hannibal
Esta série sempre foi a mais bonita e a segunda temporada só melhorou. Ficou mais cruel e violenta, enquanto o jogo psicológico entre Hannibal e suas vítimas ficaram mais tensos, principalmente na tentativa de Will Graham em recuperar a sua humanidade depois de ser acusado falsamente pelos crimes do serial killer mais elegante da TV. O segundo ano da série evoluiu em algo muito mais amarrado – um assustador e grotesco ensaio que sugere que o monstro mais cruel é a forma que você menos percebe nos outros, a fera encurralada atacando em todas as direções, tentando acertar todos em sua volta com seus crimes hediondos (e ainda tivemos a entrada de Michael Pitt na série, um algoz para competir com as crueldades de Hannibal). Essas qualidades fazem desta série a mais estilosa e arrepiante da TV. E a terceira temporada promete uma caçada épica.


Homeland
No final da terceira temporada eu me perguntei como seria a quarta. E foi sensacional! Reiniciando sua história principal, a volta de Homeland parece nova, importante e relevante como as notícias de ontem (ou de amanhã). Um recomeço inteligente onde a cada episódio envolvente você se fixa mais e mais neste labirinto de reviravoltas que os personagens (tanto a CIA, quanto os terroristas) enfrentam. Claire Danes levou sua Carrie Mathison para um novo patamar ao superar os limites do praticável na luta contra o terror. O quarto ano provou que essa série ainda tem muitas histórias para contar.


House of Cards
Foi um segundo ano atônito para todos ao redor do vice-presidente dos EUA Frank Underwood (Kevin Spacey, sempre ótimo) E principalmente para quem devorou todos os episódios no Netflix. Ficar boquiaberto com o final do chocante primeiro episódio (mais intenso e imprevisível do que toda a primeira temporada) – foi o gatilho essencial para o segundo ano ser transformado de um drama político para uma novela política. É um prazer vicioso que funciona perfeitamente. Quero mais.


Looking
Esta sincera série da HBO que segue a vida de três homens gays em São Francisco pode ser resumida em como as pessoas que encontramos ao longo do caminho conseguem moldar quem você se torna. É sobre ser jovem ou não tão jovem; gay ou hetéro, ingênuo ou não, mas mesmo assim sem realmente saber quem você é. Com atuações fortes, detalhes sutis e situações convincentes, Looking apresenta um retrato honesto sobre o dia a dia moderno, seja ele gay ou heterossexual.


Mad Men
Esta sempre foi a minha favorita e assim como o fim dos anos 60 na série, estes “penúltimos” 7 episódios (ela termina de vez este ano), o sentimento é de perda: Don perde sua segunda esposa, Roger perde sua filha para uma comunidade hippie e Ginsberg perde sua lucidez e todo mundo esta a procura de sua própria utopia de felicidade, como foram os ideais desta época flower-power. Computadores ameaçam seus empregos e o homem finalmente pousa na Lua enquanto Peggy, Don e Peter correm atrás de seus ideais e nunca irão desistir desta busca. E Bert Cooper deu o recado na cena final (e mágica) de tirar o fôlego: “A Lua é de todos / As melhores coisas da vida são de graça.”.


Masters of Sex
A segunda temporada continua excelente graças ao ótimo elenco, grandes atuações e narrativa inteligente sobre os EUA reprimidos dos anos 50. Com Masters e Johnson ocupando um espaço entre amor, trabalho e amizade, seus corações finalmente começaram a bater enquanto observamos a forte interação dos dois protagonistas, e Lizzy Caplan e Michael Sheen se entregando de coração aos seus papéis.


Olive Kitteridge
Frances McDormand brilha nesta minissérie impecável da HBO, capturando não só o espírito indomável da personagem do título, mas também seus medos enquanto seu mundo começa a desmoronar. Forte em retratar a vida de uma mulher em situações aparentemente banais, entrelaçado em crueldade, ressentimento, insegurança e ainda sim, um nível de honestidade sobre os atrativos da vida.


Orange is the New Black
A segunda temporada superou a primeira. Primeiro em tirar o foco da personagem principal e distribuir melhor as histórias (e importância) entre as detentas da prisão Litchfield. E são muitas as histórias e os personagens! Entre subtramas complexas, OITNB se qualifica como a série que apresenta uma rede de personagens como nunca visto antes, dando a impressão de que elas realmente são prisioneiras. Um time excelente de atrizes, em especial as inesquecíveis Uzo Aduba, como “Crazy Eyes” e Laverne Cox, a cabeleireira transsexual. Destaque também para o lindo e triste quarto episódio, onde descobrimos mais sobre a personagem Morello.


Review
Esta série inusitada do Comedy Central apresentou um dos melhores personagens cômicos da atualidade: o bem humorado e sem noção Forret MacNeil (Andy Daly, impagável), um apresentador de TV que, a partir dos pedidos de seus telespectadores, resenha experiências de vida e no processo acaba por arruinar seu casamento, sua carreira, amizades e sua saúde. As resenhas são variadas, vão desde como é ser racista, como é se divorciar, como é comer 15 panquecas, como seria sexo com uma celebridade, como é se viciar em drogas, etc. Review é brutalmente hilariante em seu humor negro explícito e brilhante enquanto Forrest continua sorrindo mesmo depois de se dar conta da mensagem que passa para o telespectador: é tudo muito doloroso.


The Knick
Dirigida por Steven Soderbergh (Erin Brokovich, 11 Homens e Um Segredo, Sexo, Mentiras e Videotape, Behind the Candelabra) e estrelado por Clive Owen, este vibrante drama de hospital tem ares contemporâneo (ângulos de câmera expressivos, trilha sonora eletrônica minimalista) apesar de se passar na primeira década de 1900 em Nova Iorque. As tentativas e erros do cirurgião chefe Dr. John Thackerey (Owen) e sua equipe acumulam cenas sangrentas (mas nunca gratuitas) de cirurgias primitivas numa sala de operação estilo teatro enquanto esses médicos-cientistas-inventores se deparam com ideias que eles mesmos nunca imaginaram para revolucionar a medicina (mesmo de forma dolorosa). Destaque também para Cara Seymour, como a freira mais durona da TV.


The Leftovers
Talvez pela forma como Lost terminou, fiquei com o pé atrás com a estreia de The Leftovers, também criada por Damon Lindelof. Mas alguns episódios me fizeram lembrar porque Lost era tão legal. Explorando a vida das pessoas que ficaram para trás depois que 2% da população mundial desapareceu, The Leftovers investiga um complicado novo mundo, onde novos e agravantes cultos surgiram e pessoas em crise tentam entender quem eles se tornaram e porque isso é importante. Nada disso daria certo sem personagens fortes: o pai de família e policial perturbado; a solitária mãe que perdeu toda sua família e vive uma vida de novos vícios e descobrimentos; a líder do misterioso culto “Os Remanescentes Culpados” que vivem em silêncio e fumando cigarros (vivida por Ann Dowd, uma das melhores interpretações do ano); o padre problemático que perdeu seus fiéis, são alguns exemplos. Apesar dos inúmeros mistérios, reviravoltas e episódios chocantes, esta é uma série que está além de ter um papel para desvendar estes acontecimentos, mas sim aprender a viver com eles. Ainda não sei qual rumo esta série vai tomar, mas vou continuar vendo!


The Walking Dead
Aqui dividido em duas partes (metade do final da quarta temporada e a primeira metade da quinta). Depois de finais repetitivos (sequestra-sequestra, invade-invade, mata-mata, corre-corre), o grupo de sobreviventes se separou e teve histórias paralelas isoladas interessantíssimas e violentas fazendo jus a série. No episódio “The Grove” (S04E14), Carol e Tyreese descobrem do pior jeito imaginável até onde vai a perversa inocência de uma criança sob um mundo infestado de violência e mortos-vivos, num dos momentos mais tensos da série. E no final desta trama, eles se reúnem somente para ficarem presos numa armadilha bem sacada que amarrou bem o fim do quarto ano. No retorno de Walking Dead, nossos “heróis” finalmente se transformam de forma visceral em pessoas que não tem nada a perder a não ser a vida (com direito a vilões canibais), fazendo de tudo para sobreviverem – continuando em atingir fortemente todos os três níveis (cérebro, coração e estômago) com precisão mortal!


Transparent
Com sutileza e sinceridade, Jeffrey Tambor encarna Maura, um pai de família que, na terceira idade, começa o processo de “sair do armário” para os seus filhos já criados como uma mulher transgênero. De forma natural e balanceada entre o humor e a disfunção familiar e as fragilidades das relações familiares e amorosas, esta nova série da Amazon transcende gênero e expectativas. Com uma intimidade peculiar, Transparent (criação de Jill Soloway, de “United States of Tara”) entra no mundo queer, mas quer contar a história de Maura e dos Pfeffermans, sem nunca moralizar seu conteúdo para o espectador, mas sim, enfrenta as imperfeições da família e deixa você entende-los da sua forma.


True Detective
São muitas as glórias desta série: um suspense policial de serial killer, escrita no melhor estilo Pulp com filosofia niilista e mitologia própria, contada com uma narrativa em dois tempos paralelos, uma química perfeita entre seus dois protagonistas (Woody Harrelson e Matthew McConaughey, em minha opinião, sua melhor atuação), uma eletrizante sequência de seis minutos sem cortes que já nasceu clássica, numa direção e cinematografia impecáveis.


Veep
Depois de ser imortalizada por sua Elaine Benes em Seinfeld e de passar 5 anos como a divertida Old Christine, Julia Louis-Dreyfus se supera a cada episódio como a vice-presidente dos EUA, Selina Meyer. O ridículo que sua personagem passa é sempre a serviço de uma piada política, e mesmo que o fracasso de sua equipe (hilária) seja inevitável, ele nunca é previsível. Eu não imaginava um retorno tão cheio de cinismo, mas nisso e no humor negro, eles se superaram nesta terceira temporada que envolveu, além de uma corrida à Casa Branca, um episódio memorável sobre aborto, uma visita hilária a Londres (com uma piada genial sobre a Princesa Diana) e uma das cenas mais engraçadas da série, que mais pareceu um erro de gravação (S03E09).