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Quem Mexeu no Meu iPod?






23.6.08

Pecados Inocentes

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(Savage Grace/2007/EUA/Tom Kalim)

Drama Familiar, permeia o incesto e a imoralidade com charme e elegância



Inicia abruptamente o filme, com ares de cinema hollywoodiano da década de 50, ao ver Julianne Moore sempre linda em vestidos impecáveis, dá uma rápida impressão de que estamos assistindo Longe do Paraíso. Essa sensação logo se dissipa e o filme vai apresentando “takes” de diferentes fases de uma família onde Barbara Daly Baekeland (Julianne Moore) é uma mulher bonita e carismática. Mas isso não é suficiente para apaziguar o abismo de classes existente entre ela e seu marido, Brooks (Stephen Dillane), o herdeiro da fábrica de plásticos Bakelite. Quando Tony (Eddie Redmayne), o único filho do casal, nasce, essa delicada relação desaba. Tony é visto pelo pai como um fracassado e, conforme amadurece, se aproxima da solitária mãe.

Sem cair no estilo “filme - tese”, o diretor Tom Kalin (Do mediano Swoon) mostra toda sua maturidade em dirigir cenas absolutamente afetadas, embora nunca embrutecidas, sobre a falência do masculino, onde um pai distante e entediado prefere flertar com jovens ninfetas ao encarar a complexidade sexual de sua esposa e busca em esportes e hobbies tipicamente viris a sustentação de sua masculinidade. Todo o narcisismo do pai e sua nada relevante habilidade em lidar com assuntos que só dizem respeito a si mesmo, vão se co-relacionando a personalidade da mãe que nutre uma vida destrutiva, seus pequenos espetáculos e jogos cênicos, resquícios do recalque de uma atriz fracassada, que busca na superficialidade de sua vida regada a jantares, encontros e chás uma forma de não lidar diretamente com a realidade. Enquanto isso o único filho vai assumindo cada vez mais sua homossexualidade e uma incapacidade nata de conservar seus relacionamentos sempre efêmeros, onde ternos bem cortados, cigarros e homens que admirem sua tenra juventude vão preenchendo a ausência do pai.

A falência do masculino e o declínio da família vão sendo costurados em cenas límpidas, numa fotografia clara e bem definida, cada toque de imoralidade em que a família vai se afogando, ao mesmo tempo em que uma sofisticada trilha vai maturando fatos de pura sinceridade, em que só a mais intensa intimidade pode oferecer aos personagens muito bem interpretados pelos atores de peso desse filme.

Aberrações ou fatos decorrentes da proximidade que talvez a família devesse ter e não tem pelo receio de que o descontrole emocional possa causar ao seio de sua convivência? Um filme muito maior do que as cenas tão comentadas em que mãe e filho cometem incesto, este é um filme “moderno”!

Not related:
Vazou o trailer de The Curious Case of Benjamin Button, próximo filme de David Fincher (Clube da Luta) com Brad Pitt e Cate Blanchet.
Conta a história de Benjamin que nasce já velho e passa a rejuvenescer.
Baseado num conto de F. Scott Fitzgerald.



Estréia prevista para dezembro

2 comentários :

R. disse...

Nossa Gi, sua sinopse está maravilhosa, os termos q vc usa estão mto bem colocados, psicanálise pura... hehehehe Tava inspirado, hein! Fiquei muito interessado em ver esse filme! Parabéns! bjs bjs

Shiller disse...

Melhor resenha para Savage Grace forever.
Incrível a cena em que Mãe, filho e amigo estão juntos na cama e riem de forma "indisciplinada". Muito bom, esse filme!