((( Quem mexeu no meu iPod?)))
Quem Mexeu no Meu iPod?






18.3.14

Favoritos 2013 | Filmes

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Em ordem alfabética.


12 Anos de Escravidão (12 Years of Slavery, Steve McQueen)
O tão comentado novo drama de Steve McQueen (Shame) merece um lugar na história do cinema por fazer um filme necessário sobre a própria história da humanidade. Apresentado de forma imediata, as memórias de Solomon Northup, negro livre – sequestrado e escravizado no sul dos EUA durante os anos 1840 – ganham vida nas mãos deste diretor que compõe cenas meditativas e poéticas, embora tratando de um tema sombrio e cruel. A cena onde os escravos continuam com sua rotina diária enquanto Solomon (Chiwetel Eijofor, poderoso, mas quase over) luta por horas para se manter de pé e não ser enforcado é perturbadora, ainda mais com a incessante trilha sonora de Hans Zimmer. Apesar de uma quebra do ritmo no meio da projeção e o gore elevado em uma cena crucial do filme, a força desta história supera todos esses detalhes. Junte isso com a verdadeira dona da fita: Lupita Nyong’o (Oscar de atriz coadjuvante), numa atuação dilacerante; e também a Michael Fassbender, que juntos entregam uma química negativa entre personagens tão forte que chega a ser arrepiante.


A Caça (Jagten, Thomas Vintesberg)
A vida de um professor de jardim de infância (Mads Mikkelsen, ótimo) é transformada num verdadeiro inferno quando uma aluna o acusa falsamente de atos obscenos. Sem provas , a polícia local se recusa a prende-lo, o que só piora a situação, já que para expulsar o mal, os moradores desta pequena cidade decidem fazer “justiça” com as próprias mãos. Dirigido por Thomas Vinterberg (Festa de Família, Querida Wendy), este drama poderoso, sufocante e angustiante causa mal estar ao mostrar uma comunidade contra um indivíduo – aos olhos da maioria, sua inocência é irrelevante – o forçando a se sentir culpado por um crime que não cometeu.


A Grande Beleza (La Grande Bellezza, Paolo Sorrentino)
A vulgarização de uma cidade, das artes, da religião, da felicidade, da tristeza e da própria vida nunca foi tão bem aproveitada. A odisseia pessoal de um jornalista playboy e superficial na meia idade, debochando das filosofias de seus amigos intelectuais (não se perca dos excelentes diálogos) em jantares e festas intermináveis é um belo disfarce de quem não se preocupa com o que está acontecendo ao seu redor – principalmente se este lugar é Roma (nunca tão lindamente filmada). Um conto moderno, sucessor dos clássicos de Fellini e Antonioni. Para ver mais de uma vez!


Antes da Meia Noite (Before Midnight, Richard Linklater)
Com uma bagagem histórica de 18 anos (desde Antes do Amanhecer, de 1995 e Depois do Pôr do Sol, de 2004), o casal Jesse e Celine agora troca ideais juvenis por desafios da meia idade, paternidade e relacionamentos longos. A criação ousada e ambiciosa do diretor Richard Linklater em retratar o peso de um relacionamento década por década ganha aqui seu tratamento romântico mais sincero e dolorosamente verdadeiro. Destaque para a cena onde uma senhora observadora descreve impecavelmente o sentimento de perda.


Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2, Abdellatif Kechiche)
Atento aos detalhes de uma relação amorosa (seja ela homo ou heterossexual), a visão audaciosa do diretor Abdellatif Kechiche faz com que o espectador se envolva tanto neste relacionamento quanto suas duas protagonistas em suas detalhadas três horas de duração. Acima de qualquer polêmica que envolveu o filme, ele tem destaque na interpretação visceral de Adèle Exarchopoulos e na visão do diretor em retratar uma relação amorosa extremamente real, em todos os sentidos. Imperdível.


Behind the Candelabra (Steven Soderbergh)
Seguindo a fórmula de uma cinebiografia e indo mais além, o romance de Liberace (Michael Douglas numa das atuações do ano) com o bonitão Scott Thorson (Matt Damon, imperdível) é o foco deste filme feito pela HBO (nenhum estúdio de Hollywood quis produzir). A liberdade dada pelo estúdio de TV deu força a história íntima do pianista gay com seu lover boy – as melhores cenas se passam na cama do casal! Divertido e dramático, o filme vai atrás da pessoa real que era o artista, por trás das roupas glamorosas, perucas perfeitas, cirurgias plásticas, glitter e escândalos que ninguém sabia.


Blue Jasmine (Woody Allen)
É transcendente a experiência de ver Cate Blanchett (atuação do ano) se desconstruindo na sua frente, cena a cena. Mas o filme que trouxe de volta Woody Allen a sua forma (mais uma vez) vai além de atuações fantásticas; os diálogos hábeis andam perfeitamente entre a linha tênue da comédia e do drama, com um toque legítimo que só um mestre pode transmitir.


Dentro de Casa (Dans la Maison, François Ozon)
A comédia de suspense do diretor François Ozon coloca os espectadores nas mesmas posições dos personagens. Mas não é assim em todos os filmes? Aqui, Ozon se diverte nas metáforas e nos truques da narrativa para brincar com o tema do voyeurismo, onde aquele que observa está envolvido naquilo que vê. Na história, um professor de literatura incentiva, ajuda e critica a redação de um aluno que narra ele mesmo numa série de capítulos envolvendo a amável família classe média de um colega de classe, imaginando a vida deles dentro de casa e querendo descobrir mais – e nós também! Um “Janela Indiscreta” remodelado, as vezes muito literalmente, mas é uma diversão inteligente!


É o Fim (This Is the End, Evan Goldberg, Seth Rogen)
Jogando celebridades no inferno e deixando algumas para sofrerem no Apocalypse, a dupla de “Superbad” (Seth Rougen e Evan Goldberg) dirige a comédia mais engraçada do ano! Jonah Hill, Jay Baruchel, Danny McBride (excelente), Craig Robinson, James Franco (maravilhoso) e o próprio Seth Rogen interpretam versões hilariantes e exageradas deles mesmos nessa “metasátira” feita entre amigos.


Ela (Her, Spike Jonze)
Da mente criativa e imagética de Spike Jonze nasce uma fábula romântica de ficção científica sobre um escritor de cartas triste (Joaquin Phoenix, fenomenal) que se apaixona por seu sistema operacional com inteligência artificial (Scarlett Johansson em seu melhor papel desde Encontros e Desencontros). Um conto bonito, único e por que não, assustador sobre romance e solidão numa época onde ninguém realmente está sozinho.


Ferrugem e Osso (De Rouille er d’os, Jacques Audiard)
Duas pessoas acostumadas com seus domínios físicos sobre o músculo, sexo e beleza se encontram a partir de desafios que não estavam treinados: ela, uma treinadora de baleias de um parque aquático, que perde as pernas num acidente; e ele, um homenzarrão que sonha em ser campeão de lutas marciais que se muda para a casa da irmã com o filho pequeno. O diretor Jacques Audiard (do ótimo Profeta) está interessado aqui no que resta das pessoas quando elas perdem algo. Um filme sensual e corporal onde os personagens são forçados a começarem do zero, tendo como base suas fraquezas e suas vidas quebradas.


Frances Ha (Noah Baumbach)
A dançarina de 27 anos, Frances (Greta Gerwig, que também co-escreveu o filme, está excelente) vê sua renda diminuir, uma vida amorosa evaporar e uma amizade se desgastar enquanto está sendo devorada viva por NY, mas de alguma forma consegue sorrir disso tudo. Sua espontaneidade, sua invenção verbal e gestual são comoventes: Frances é uma artista cujo meio é a sua própria vida, e homenageando os clássicos modernos franceses, o diretor Noah Baumbach acerta com o visual preto e branco, trilha sonora divertida e charmosa numa história cheia de possibilidades. Uma amiga resumiu bem: “todo mundo é o ‘fake-namô’ de todo mundo”.


Gravidade (Gravity, Alfonso Cuarón)
“Como ele fez isso?” Faz tempo que eu não saia do cinema com esta pergunta. Desde a sequência de abertura que te coloca em plena órbita com os astronautas na tela até a luta pela sobrevivência de uma Sandra Bullock competente (tem lugar melhor para ver essa atriz do que perdida no espaço?) – este já clássico da ficção científica dirigido com incrível habilidade por Alfonso Cuarón vai te deixar tenso como nunca! Apesar do sentimentalismo que não adiciona muito ao conteúdo, o filme entrega um espetáculo visual inacreditável.


Histórias que Contamos (Stories We Tell, Sarah Polley)
Neste fascinante documentário, a atriz e diretora Sarah Polley (Longe Dela) vira a câmera contra a sua família enquanto revela os segredos sobre sua própria origem. Mesclando fatos com ficção, ela cria uma incrível e inquietante reflexão sobre família, memória e principalmente sobre contar histórias. O achado do ano!


Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, Ethan Coen, Joel Coen)
Filmado com uma fotografia melancólica, a visão dos irmãos Coen em cima da cena musical folk dos anos 60 em NY paira na jornada do músico Lllewyn Davis (o excepcional Oscar Isaac) através de sua integridade musical que começa pelo desconhecido e avança em situações penosas que parecem não terem fim. Muitas vezes, o único caminho para chegarmos a algum lugar é pela incerteza. Trilha sonora maravilhosa!


Lições de Harmonia (Uroki Garmonii, Emir Baigazin)
Em seu primeiro longa, o diretor Emir Baigazin demonstra um belo trabalho de composição digital neste estudo bem executado sobre bullying e vingança numa pequena cidade do Cazaquistão. Atuações intensas de um elenco jovem não profissional, um olhar frio e bem elaborado com cenas kafkianas, evocando também desde “Crime e Castigo” a Darwin, em voz única.


Nebraska (Alexander Payne)
Dirigido com perfeição e percepção astuta de Alexander Payne a partir de um roteiro de Bob Nelson e com a mais bela fotografia do ano, Nebraska é um excelente drama leve com tons de “Dom Quixote”, que mostra o sonho americano como desejos fantasmagóricos de uma cidadezinha do interior esquecida. E o ceticismo sobre a família, a sorte e do sonho da felicidade é encantador! Um “Pequena Miss Sunshine” geriátrico! Bruce Dern e June Squibb memoráveis!


O Ato de Matar (The Act of Killing, Joshua Oppenheimer)
O documentário de Joshua Oppenheimer é um dos mais estranhos e arrepiantes já feitos. Investigando o genocídio de possíveis comunistas e chineses na Indonésia em 1965/66, o diretor vai até os dias de hoje para ver as consequências desses atos terríveis entrevistando os próprios assassinos que ainda estão no poder! A arrogância, orgulho e o sorriso nos rostos dos assassinos que descrevem seus massacres são chocantes. E durante a fita eles vão reencenar seus atos terríveis usando eles mesmos e moradores locais como atores amadores de uma produção B assustadora e ao mesmo tempo surreal (números musicais se mesclam com ataques a vilas inteiras) até chegar num final nauseante e desconcertante para todos.


O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall of Street, Martin Scorsese)
Martin Scorsese é pop! A grandiosa jornada do corretor da bolsa de valores Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio com uma energia nunca vista antes) é retratada da mesma forma em que viveu seu protagonista: cheia de excessos e sem nenhuma vergonha sobre isso! Totalmente amoral, uma queda livre mortal nas drogas (a cena dos “Quaalude” nasce clássica!), exploração sexual e acumulação exacerbada de riquezas. Um Scorsese triunfante e hilariante (de forma letal!).


Os Amantes Passageiros (Los Amantes Pasajeros, Pedro Almodóvar)
Haters gonna hate! Este último filme do diretor espanhol é para fãs hard-core e da primeira fase de Almodóvar. Afinal, quem leva a sério este mestre do pastiche? Cheio de pantonimia, piadas de mau gosto e clichês este filme é a farsa do ano. Destaque para a sequência de dança onde o trio cômico de comissários de bordo gays dubla o hit da banda Pointer Sisters. Alguns vão desejar que o avião caia!


Pais e Filhos (Soshite chichi ni naru, Hirokazu Koreeda)
Depois de seis anos criando seu filho único, o casal Ryota e Midori descobre que tiveram o filho trocado na maternidade. Em seguida, o casal encontra seu filho biológico e a família que o criou e como um ótimo melodrama, estas famílias não poderiam ser mais diferentes uma da outra. Enquanto Ryota é um empresário ambicioso e frio que preza uma educação rigorosa para o filho, seu filho biológico foi criado com outras duas crianças e pais mais emotivos. Com muito cuidado ao dirigir esta história tão pesada e dramática, o diretor busca uma perspectiva sutil e honesta para o embate e desconforto que as famílias sofrem ao decorrer da trama, onde os personagens serão forçados a enfrentarem os lados mais sensíveis deles mesmos.


Short Term 12 (Destin Cretton)
Essa comédia dramática agridoce indie conta a história de Grace, supervisora de um lar temporário para jovens problemáticos enquanto ela mesma encara seu próprio passado obscuro e futuro incerto. Entre tristezas e alegrias, um filme cativante com excelentes atuações – principalmente do elenco jovem.


Spring Breakers (Harmony Korine)
Dirigido por Harmony Korine (Kids, Gummo, Mister Lonely), este é um dos filmes mais marcantes do ano – ame ou odeie. Engraçado, obscuro, sempre provocador e hedonista tem uma câmera intrusa que passeia pelos corpos das meninas de biquíni (que antes eram modelos exemplares “Disney”) e por festas coloridas e delirantes. O filme, exagerado em estilo, parece ter sido dirigido pelas próprias protagonistas com seus iPhones. O personagem de James Franco é um destaque a parte (ele merecia o próprio filme).


Still Life (Uberto Pasolini)
Com uma direção estática que soma a uma atuação surpreendente e maneirista de Eddie Marsan, este conto frágil e bonito, levemente cômico e dramático, sobre um solitário que tem como trabalho encontrar o parente mais próximo daqueles que morrem sozinho, tem um final ao mesmo tempo cruel, afetuoso e totalmente comovente.


Turning (Charles Atlas)
Baseado na aclamada turnê de mesmo nome da banda Antony and the Johnson, este documentário musical explora com coração a performance de 13 mulheres notáveis que se transformam no palco com a ajuda das belas canções de Antony Hegart. Uma experiência íntima e cinematográfica que explora temas como identidade, gênero e força feminina.


Um Estranho no Lago (L’inconnu du lac, Alain Guiraudie)
Num lago frequentado por homens gays a procura de sexo fácil (ou “algo mais”, ou “algo menos”), um assassinato é cometido e as duas únicas testemunhas são você e o frequentador Franck. A partir disso, o diretor Alain Guiraudie cria um suspense hitckcockiano dentro de um microcosmo social onde a ameaça é sedutora, está sempre por perto e pode te levar a autodestruição. E sobre quem seria o tal do “estranho no lago”? Eu ainda acho que é o espectador!



Veja os favoritos de 2011 e 2012!

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