((( Quem mexeu no meu iPod?)))
Quem Mexeu no Meu iPod?






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25.1.11

Garotos da Guerra Fria dizem: o que é meu é seu!

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A banda de indie-rock californiana Cold War Kids lança seu terceiro álbum. Diferente dos dois primeiros discos, o excelente e genuíno Robbers & Cowards (2006) e o denso e cru Loyalty to Loyalty (2008) que usavam as músicas para contar histórias de diferentes perspectivas (de um pai alcoólatra a um prisioneiro de corredor da morte), Mine is Yours foi composto em cima das próprias experiências do vocalista e letrista Nathan Willett somando com as batidas de uma bateria inspirada e uma guitarra hipnótica! Pra quem gosta de White Stripes e Black Keys! Baixe o álbum ao lado, veja o vídeo abaixo e de bônus, um remix incrível feito pela banda Passion Pit!



16.1.11

Chat about Amy

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- O show da Amy deu soninho...

- Eu to vendo todo mundo reclamar. Não tive um segundo de vontade de ir!

- O da Janelle foi foda!

- Era um festival ou chamaram esse povo pra dar um up no show da craquenta?

- Era um festival mas aposto na segunda opção...

- Tipo o povo já sabe que só ela não vale o ingresso.

- Então, tinha muita gente tipo "simples" (odeio esse termo).

- Nossa!

- Sabe "tiazinha com a sobrinha de 23"? Pois é! Eu também não entendi...

- Por causa da Amy?

- Só Amy! Quem conhece Janelle?

- Ela virou uma coisa Claudia Leite! A popularidade dela...

- E queriam ver ela dar vexame, cair e ela fez um show chato! Bem feito!

- Mas ela cantou?

- E ouvi muitos comentários do tipo "ela tem a voz linda, pena que se estraga". Cantou bem pouco e ela usou mais a voz pra apresentar a banda, que é foda!

- Porque eu se eu fosse só queria ouvir as músicas como se eu tivesse num bar, sabe?
"Ai fica queita e canta que eu vou tomar meu Jack Daniels"!

- Ela só funcionaria num lugar assim... A estrutura era tipo um Tim Festival e acabaram as bebidas antes do show dela... Tipo no começo da Janelle já não tinha mais cerveja!

- Credo! Evento evangélico? kkk Gente, eu sofro se não tiver alcool! Lembra do TIM? Aff! A gente tomando aquela pinga naquela bisnaga uó! Hahahaha!

- Lembro! A gente comprando aquelas pingas com mel AFFF

- Medo!


#BjoMeSubdesenvolva

23.4.10

Alice no País das Maravilhas

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Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Dir. Tim Burton


Tim Burton nunca nos decepcionou. Um dos diretores mais criativos dos últimos anos embraçou uma das obras mais criativas e inventivas de todos os tempos, um projeto que parecia ter nascido para ele, a esperar de um diretor como Burton para levar às telas: Alice no País das Maravilhas. E sim, Burton realmente abraçou o projeto e novamente o tornou pessoal, mergulhando a história de Alice no mundo maravilhoso do diretor. Esse mundo maravilhoso que já vimos várias vezes (e gostamos): cenários sombrios, trilha de Danny Elfman, excentricidades, Johnny Depp e Helena Bonham Carter.
A releitura de Alice começa no argumento: alguns anos depois de ter visitado o país das maravilhas, Alice ainda tem pesadelos com o lugar e acha que foi tudo um sonho, não lembrando de nada realmente. Ao ser pedida em casamento contra a vontade em frente aos bem nascidos da Londres vitoriana, a menina (Mia Wasikowska, ótima) abandona a cena e avista um coelho branco vestido com colete e o segue até cair dentro de um buraco. De volta ao Mundo Subterrâneo, todos a esperam como uma guerreira para acabar de vez com a Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) que continua a cortar cabeças. Junto com todos personagens já conhecidos, como o gato de Cheshire, a lebre de março, a sábia lagarta e o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), que agora ganha mais destaque e vira personagem principal; e a Rainha Branca (Anne Hathaway, típica princesa Disney), que espera voltar ao poder. Mas Alice não sabe se é essa guerreira, nem a pessoa certa para encerrar de vez por todas a batalha entre o bem e o mal.
A cada imagem divulgada do filme, a expectativa pelo filme só aumentava: as artes conceituais do Chapeleiro (mais uma vez Depp como um personagem exótico de Burton) e da Rainha de Copas eram visualmente incríveis. E é exatamente isso o que o filme é: visualmente maravilhoso. A licença poética de Burton deixa a história pouco interessante e pessoal demais, mergulhado intensamente no universo do diretor que já conhecemos (Sweeney Todd é um exemplo forte de repetição criativa), parecendo até mesmo pré-fabricado, os ingredientes para o mundo do cineasta já estão prontos – uma encomenda da Disney para criação de produtos derivados da história. Algumas coisas são tão fora de contexto, como o final enfadonho de Alice e uma batalha épica no final (Alice no Senhor dos Anéis?), que não se identifica com o universo criado por Lewis Carroll, conflito de dois gênios? A fórmula funcionou perfeitamente com Fábrica de Chocolate, dessa vez Tim Burton quis recontar a história de Alice, torná-la mais pessoal, o que foi um deslize. Numa das melhores cenas do filme, é contado um flashback da primeira visita de Alice ainda criança, o que nos dá um gostinho de curiosidade e torcida por um prelúdio com a história original, que flerta também com diálogos retirados diretamente do livro de 1865.
A técnica 3D também não empolga (personagens apontando para a platéia e objetos sendo jogados na nossa direção), tanto que o filme pode funcionar perfeitamente em película (diferente de Avatar). Chato afirmar que é mais um filme genérico de Burton: visuais incríveis, atuações afetadas e exageradas (até mesmo dos personagens digitais) e Johnny Depp espetacular. A famosa animação de 1951 (também da Disney) ainda continua a melhor: simples, curta, charmosa e viajante na medida certa!

16.3.10

Kasper Bjørke - Standing on Top of Utopia

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Descobri ontem que o DJ e produtor dinamarquês Kasper Bjørke lançou um segundo álbum, Standing on Top of Utopia e já conta com três singles. O primeiro deles é a sombria e romântica Young Again, que já está on repeat no iPod (vídeo abaixo dirigido pelos caras da Fortune).



Alcatraz, segundo single, ainda não ganhou clipe - a escolha foi Efficient Machine (com vocais de Tomas Hoffding, da banda WhoMadeWho). Destaque também para a melódica faixa Heaven.



Standing On Top of Utopia tem um pouco de disco, pop e um pouco de house e outras surpresinhas. Um álbum que continua o vasto talento do produtor começado com In Gumbo (um dos mais legais de 2007).

8.3.10

Um Homem Sério

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Um homem Sério (A Serious Man, 2009)
Dir: Joel & Ethan Coen


"Quando a verdade se revela mentira, toda alegria interior se vai"

Para ler ouvindo:


Em seu novo filme “Um Homem Sério” (Serious Man, 2009, EUA, Irmãos Coen), promove uma inteligente fita de humor negro, para questionar: “A vida é uma equação matemática mais complexa, que uma teoria física.” Ou seria o inverso? A tentativa ambiciosa de narrar problemas a fim de explicá-los não é algo que poderíamos esperar dessa dupla de diretores que criaram pérolas do cinema contemporâneo como: “Gosto de sangue”, “Barton Fink”, “Fargo”, “O homem que não estava lá” e mais recentemente “Onde os fracos não têm vez”.

Depois de um breve prelúdio que, em 1.33:1 utiliza uma parábola de cunho judaico para apresentar o tema principal do filme (a incerteza acerca do sobrenatural e da Fé), o roteiro nos apresenta ao ansioso professor de física Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) que, prestes a conseguir uma sonhada estabilidade na faculdade em que leciona, vê seu mundo desabar em função de uma série de pequenos e grandes problemas: sua esposa pretende se divorciar para se casar com outro homem; seus superiores vêm recebendo cartas anônimas ao seu respeito e que podem ameaçar seu emprego; um aluno ameaça denunciá-lo por extorsão; seu irmão mais velho parece decidido a morar para sempre na sala de sua casa; seu vizinho insiste em roubar parte de seu terreno; e um certo “clube do disco” passa a cobrar várias e caras mensalidades por um serviço que ele não assinou. Assim, mesmo enquanto ensina o paradoxo de Schrödinger (sobre o gato que, de acordo com a mecânica quântica, encontra-se simultaneamente vivo e morto até que um observador possa constatar seu estado real), Larry mergulha em questões puramente metafísicas, como a natureza de Deus e os obstáculos que este coloca no caminho daqueles que quer testar.


O filme permeia a idéia de que é mais difícil acompanhar nessa história sobre um homem sério, é assistir as disfunções diárias e as experiências nada justas que o protagonista vivencia. Ao invés de uma explicita narração de fatos descritivos, opta-se por uma subjetiva apresentação de ações que geram conseqüências que fogem o físico, mas o moral. Nosso homem e um caleidoscópio, de diversas experiências desagradáveis, exclusivas e difíceis de serem explicadas, talvez apenas sentidas, por isso a relativação é necessária para que se possa viajar junto com o personagem em seu inferno pessoal.

Buscando encontrar sentido mesmo para suas dúvidas existenciais (em certo instante, ele sonha com uma imensa equação que explicaria a incerteza do universo), ambiciona principalmente ser considerado um “homem sério” por seus pares, o que torna seu “rival” Sy Ableman (reparem o sobrenome) ainda mais irritante em função de sua postura de superioridade, sua enunciação impecável e cuidadosa e, claro, seu status diante da comunidade.
Trocando em miúdos, “Um Homem Sério”, é um retrato de um homem em apuros, que apesar de ser judeu, parece não depositar nenhuma confiança em suas crenças, pois sua procura por respostas com os rabinos são inusitados e inúteis. Aliás, um dos rabinos pode ser o símbolo do filme: Marshak só aparece em duas cenas, mas o seu diálogo com Danny Gopnik (filho do Larry) após seu bar mitzvah é a prova da originalidade do filme. Marshak fala lentamente o que pareciam palavras de sabedoria, quando na verdade são apenas umas linhas da música Somebody To Love (Jefferson Airplane).

Em uma das passagens um dos rabinos diz: “Vamos dar um passo atrás para entender a situação”. A vida pode apresentar situações que mostre como tudo que você pensa ser de uma maneira, acontece de outra. E não existe uma teoria fácil pra explicar isso. “É preciso, como judeu, explicar as coisas que não entendemos desenhando, ou usamos algum processo como escrever uma carta”. Apoiado nessa afirmação de uma personagem secundaria, os próprios diretores se utilizam de uma sucessão de imagens recheadas de sensação e economizam no texto, para transcorrer a história.


Cada vez mais seguros na direção, cada plano do filme tem um significado contido, casa close, cada movimento de câmera tem um propósito. Existe em sua estrutura um rigor estilístico poucas vezes tão bem apoiado a função de narrar o filme. A trilha sonora e as repetições usadas são mais um tempero, para essa triste e sarcástica história que tem como explicação a “aceitação do mistério” e as chances que temos com os demais personagens da nossa vida são: se estiver desesperado, as pessoas vão minimizar seu problema, caso demonstre, elas vão criar um drama que provavelmente você vai se sentir humilhado. E quanto o vislumbre de se apoiar em Deus, nunca nem os personagens do filme, nem os espectadores dessa tragicomédia vão saber se existe de fato essa possibilidade, ao que tudo indica para os diretores, seu anti-herói é como o gato da teoria que ele tenta explicar para seus alunos no começo do filme. Estamos meio mortos e meio vivos e, sobretudo com a certeza de contar com algo superior é certo, ou não.

23.2.10

A Fita Branca

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A Fita Branca (Das weisse Band, 2009)
Dir. Michael Haneke



Dois diretores na atualidade criam filmes realmente indigestos e ao mesmo tempo fascinantes, são eles: Lars Von Trier e Michael Haneke. Esse último que levou Palma de Ouro em Cannes e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro por seu último filme “A Fita Branca” (2009, AUT, 144 min) o pesadelo em P&B, é uma engenhosa representação alegórica da ideologia fascista. Logo no começo da projeção o narrador conta que ali, naquela comunidade, pequenos eventos prenunciam o que aconteceria com o país todo, anos depois. Haneke começa o filme, portanto, amarrado conscientemente nessa analogia com o Holocausto - e, ao seu modo, começa a ditar o tipo que reação que espera do público. E consegue.

A tempestuosa ação desta produção decorre durante os quinze meses que precedem a Primeira Guerra Mundial numa pequena aldeia alemã (que apesar da semelhança, não há a mínima intenção de demonizar a cultura germânica) que subitamente é atingida por vários incidentes que vão retirar os seus habitantes da monotonia a que se habituaram ao longo dos anos. O relato desses misteriosos episódios é feito por um narrador que presenciou e investigou alguns desses fatos devido à sua qualidade de professor da escola da aldeia e que, ao fim de tantos anos, tenta encontrar fundamentos e justificativas para esses atos e para os acontecimentos e comportamentos políticos que posteriormente afetaram a história, acontecimentos esses que apresentam algumas desconcertantes semelhanças com as atitudes das principais figuras políticas da aldeia em questão.


Através de um confronto de gerações no decorrer da narrativa, entre pais e filhos, assim como os mestres e os alunos, surge um pastor como algoz na sua doutrina educativa com seus filhos agindo com base em repressão a qualquer manifestação de individualidade ou curiosidade. E ao contrário de muitos diretores que depositam no feminino uma saída da selvageria primitiva humana, tanto aqui como na obra de Lars Von Trier a misoginia acentuada só demonstra um sentimento oculto na sociedade de que o feminino esta amarrado ao mesmo sentimento humano de destruição e conformismo.

Com linearidade e sofisticação única, Haneke vai transformando os eventos acontecidos naquele vilarejo numa teia para demonstrar como aqueles jovens são frutos de uma pré – explosão preconceituosa, politicamente ativa e como isso pode ser perigoso, quando essa sociedade puritana e com afinco num pensamento de eugenia, decide fazer a limpeza com suas próprias regras. A catástrofe anunciada parece ser inevitável (como M, o vampiro de Dusseldorf), pois aqueles jovens que ali agem impunemente foram corrompidos por uma cruel e ressentida geração anterior.


Uma obra de tirar o fôlego, com perfeição estética e argumento perspicaz, faz sem dúvida deste filme ao lado de “Anticristo” os dois melhores filmes provocativos de 2009.

10.2.10

Chad Vangaalen faz som nerd do bem

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Chad Vangaalen, canadense nascido em Alberta, uma figura, no mínimo, interessante: fica a maior parte do tempo trancado no porão da sua casa, enquanto grava suas músicas no computador. Mixa tudo sozinho, usa Garage Band pra dar um toque a mais nas composições e, depois de tudo feito, faz pequenas animações, sincroniza com as músicas e disponibiliza no youtube. E o mais curioso é o resultado sensacional.



Com o pé firme na musica folclórica norte-americana, suas letras são pequenas narrativas, como a sombria Molten Light, que fala sobre a alma de uma mulher em fúria em busca dos seus assassinos, ou então a orwelliana Blood Machine, um conto sobre uma cidade construída no subsolo, onde os habitantes têm o coração plugado numa máquina gigante que circula sangue.
Toda essa mistura foi o suficiente pra chamar a atenção da SubPop, selo que antes abrigou o Nirvana, e que agora lança o terceiro disco de Vangaalen, Soft Airplane.
Suas composições vão do Folk ate o eletrônico, e entre esses dois abismos, também flerta com surf music, bossa e experimental.
A simplicidade de como tudo feito junto com a criatividade de alguém que possui o dom de criar o seu universo particular fazem de Vangaalen um Michel Gondry da música.



Fonte: #matheussiqueira

4.2.10

Onde Vivem os Monstros

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Onde Vivem Os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009)
Dir. Spike Jonze



Baseado no livro infantil escrito e ilustrado por Maurice Sendak, Onde vivem os Monstros (2009, EUA, 101 min), com roteiro de Dave Eggers e direção de Spike Jonze, transforma as pouco mais de dez frases do original em um longa, fiel ao conceito de Sendak. O filme traz criaturas que são mais tristes do que verdadeiramente monstruosas (ou mesmo ameaçadoras, como se especulava). Neste sentido, aliás, os primeiros elementos de produção que merecem destaque são os bonecos, as dublagens e a direção de arte com sua paleta de cores monocromáticas, ambientes desérticos e árvores desfolhadas, que vão desenhando um mundo construído pelo personagem central da trama , o pequeno Max. Além da excelente trilha sonora, que cabe como uma luva, feita por Karen O do Yeah Yeah Yeahs. Todos esses elementos combinados contribuem para que vejamos aqueles seres não como bichos absurdos, monstros fantasiosos, mas como indivíduos, com personalidades e angústia próprias.

Max é um garoto sensível, criativo e que se sente sozinho, pois sua irmã mais velha tem seus próprios amigos e sua mãe um namorado. Imerso nas dificuldades do mundo adulto, que observa mas não consegue entender, Max foge envergonhado após um desentendimento com sua mãe e acaba encontrando um lugar habitado por criaturas aparentemente assustadoras e com uma inteligência peculiar. A partir daí, o filme percorre o universo psicológico de Max como estrutura narrativa do próprio filme, levando a uma viagem de autoconhecimento. E conforme cada um dos monstros vai sendo revelado, vai-se percebendo que cada um deles é uma projeção da personalidade do protagonista. Carol é seu lado mais criativo, ambicioso, egocêntrico e esperançoso; KW é sua curiosidade, sua vontade de conhecer possibilidades diferentes, e também uma alusão à sua mãe e à sua irmã); Judith é seu lado carente, cético, mas também inquieto e ególatra; Ira representa seu lado criativo, amigo e inquisidor; Douglas é o amigo condescendente, que busca apaziguar as relações; Alexander é a insegurança e o desejo de ser reconhecido; Bull sua introspecção e sua solidão. Essas são algumas características das distintas personalidades do garoto.



Essa fuga fantástica parece uma intensa auto-avaliação, algo que o garoto precisa fazer para entender as transformações que estão acontecendo à sua volta. Atenção especial à primeira parte do filme, antes de Max embarcar em sua viagem ao mundo em que as coisas são selvagens: por exemplo, a brincadeira dos monstros de se empilharem sem machucar ninguém, esta diretamente ligada ao episódio dos amigos de sua irmã terem destruído seu iglu. Carol conta que teve um pesadelo com sua dentição e Max havia criado uma história em que conta para sua mãe sobre um vampiro que perde sua dentição ao morder um prédio e é abandonado por seu grupo (a mesma insegurança que existe em relação a Carol e seus amigos monstros e de Max com sua família). Ou quando KW joga pedras em suas amigas corujas, como na batalha de bolas de neve e mais ele não ouve ou não entende o que os jovens estão conversando e quando, machucado, chora, esperando atenção; é assim que Carol se sente por não entender porque seus amigos monstros simpatizam tanto com as corujas, com quem ele não consegue se comunicar. As brigas entre Carol e KW, podem supostamente ser uma alusão ao divórcio, subentendido, que seus pais estão enfrentando.



Os símbolos não param por aí: a construção de um “forte”, como um local apropriado para que possam viver juntos representa o incansável desejo do garoto de reunir a família e de se entender com seu mundo e os indivíduos que existem nele. Nesse “forte” não é permitido à entrada de estranhos, acreditando assim que são eles os responsáveis pelo desequilíbrio e divergências do grupo, mas ao contrário do que Max esperava, são as expectativas inesperadas que fazemos dos outros e de nós mesmos, é que causam a decepção e a falência das relações.

O inferno sentimental e árido das emoções ganha beleza nas brincadeiras primitivas do grupo de Max no qual ele é condecorado rei, mas não consegue corresponder às expectativas de seus novos súditos. Destaque, ainda, para cena em que o próprio Max insiste para que o mais calmo dos monstros atinja o mais indefeso, que já se encontra machucado, numa guerra de côco.



Onde vivem os monstros é uma perfeita fábula sobre o crescimento, sobre encarar o mundo e as pessoas e a responsabilidade de não magoá-las. Como afirmou o diretor Jonze, “não se trata de um filme infantil, mas um filme sobre a infância”, de como ela é perturbadora, inconstante, cheia de surpresas e, ao mesmo tempo, cruelmente bela.

24.11.09

“ e os hipopótamos foram cozidos em seus tanques”

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Escrita a quatro mãos, a história é construída pelo ponto de vista de dois personagens, Will Dennison e Mike Ryko -- respectivamente Burroughs e Kerouac, que se alternam na redação dos capítulos. O garçom e o marinheiro relatam seu dia a dia de ócio, experiências com drogas e sexo, encontros com os amigos e o desfecho criminoso.

Em Nova York, em 1944, um amigo dos dois, David Kammerer, fora assassinado por outro conhecido do grupo, o então adolescente Lucien Carr -- Kammerer era obcecado por Carr, que não aguentava mais as constantes perseguições do apaixonado.

O episódio dramático serviu de matéria-prima para Kerouac e Burroughs, que deram origem, em 1945, à obra "E os Hipopótamos Foram Cozidos em Seus Tanques" (Cia. das Letras, 176 páginas). O livro ficou guardado até o ano passado, quando foi publicado nos Estados Unidos - um acordo garantia que o manuscrito somente viesse a público depois que Lucien Carr morresse, o que aconteceu em 2005. Uma edição brasileira foi publicada neste ano.

Nas páginas, sexo volátil e experiências vazias com drogas de todos os tipos são relatadas,para construir uma decadente Nova York que vive o fim da segunda guerra mundial. A desesperança, o ócio e a falta de perspectiva pontuam uma narrativa ágil e cínica, onde a relações afetivas não passam de jogos de relação de poder e sobrevivência.

"Imaginei toda uma filosofia baseada na idéia de que o desperdício é o mal e a criação é o bem. Enquanto você está criando algo, tudo bem. O único pecado é o desperdício de suas potencialidades. " – Burroughs"

"O cara não é um canalha, ele é um financista. “ - Kerouac

3.9.09

Anticristo (Antichrist, 2009)

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"A natureza é a igreja de satanás”


Lars Von Trier em seu novo filme conta a história de uma jovem mãe (Charlotte Gainsbourg) que cai em depressão logo após a trágica perda de seu único filho. Numa tentativa de superar o trauma, seu marido terapeuta - Willem Dafoe (que não sofria tanto pra compor um personagem desde A Última Tentação de Cristo) - propõe a ela que os dois viajem para o local que mais lhe desperte medo, que ironicamente chama-se Éden. Adendo: - Isso prova minha teoria sobre que Dogville é um filme análogo a base religiosa cristã, onde Grace é Jesus e seu pai, Deus.

Em seu novo filme Lars cria uma fina costura de referências imagéticas onde Tarkoviski (principalmente), Bergman e Kieslowski são nitidamente matérias primas para seu quadro digital. Com uma fotografia impecável e todo texturizado de formas lúgubres, úmidas e sufocantes. O sadismo habitual do diretor é mais voraz, assim como sua maturidade em desenhar cenas de beleza impar e movimentos de câmera ainda mais bem resolvidos. Independente de querer decifrar as intenções do diretor, o mais importante nesse caso é focar nosso olhar na natureza das provocações desse homem niilista, esteta, misógino e, sobretudo humano e libertário.

Anticristo é a mais alta obra–prima sobre a natureza das relações de gênero. A tese defendida é que o feminino, apêndice responsável pelo dom de preservar a “prole” e assim continuar a “vida” é constantemente ferida e controlada pelo masculino que prove a “morte” gerando assim o equilíbrio.


As cenas explicitas apenas ilustram aquilo que notavelmente estimulam e controlam a mente humana: o medo, o sexo e a existência física das coisas. O incomodo provém da negação do espectador em assumir pra si mesmo o quanto se identifica com as posturas de dominação, submissão, impulsos emocionais, desejos reprimidos e com a culpa. Tudo está diante dos nossos olhos, na natureza e na natureza das coisas.

E na perda do controle do poder, da racionalidade ou no mergulho fecundo dos nossos mais íntimos sentimentos é ali que mora a verdadeira identidade de nossas personalidades. Seja no preenchimento das lacunas, até o transbordamento para que possamos dar de cara com o vazio, que é o sentido inútil de dar continuidade a existência e a vida.

1.9.09

Beck - Velvet Underground & Nico Record Club

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Os vídeos das versão de Beck para o álbum de 1969 de Velvet Underground & Nico (aquele da banana de Andy Warhol, saca?) pipocavam por aí e eu temia em não ouvir, por ser fã do trabalho original de Lou Reed e companhia. Mas no fim de semana vazou o álbum inteiro e não é decepcionante. Algumas faixas ficaram bem parecidas porém outras sem a voz fofa de Nico, mas numa gravação descontraída, Beck conseguiu dar um novo efeito a um álbum tão precioso e que deveria ser proibido de ser tocado, mas sabem, regras são feitas para serem quebradas.

Femme Fatale


Destaques: Heroin gritada, Run, Run, Run com tecladinho eletrônico pop e a maquiagem de percurssão que ganhou Femme Fatale. Baixe ao lado.

12.8.09

Simian Mobile Disco - Temporary Pleasure

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O segundo álbum do duo inglês James Ford (também produtor dos Klaxons e Arctic Monkeys) e Jas Shaw, apresenta convidados de alta perfomance vocal para suas 8 faixas, e mais duas somente instrumental. Fazem parte do set: Chris Keating da banda indie Yeasayer, liderando o single Audacity of Huge com seu refrão repetitivo e de pegada "Yo!" - a melhor do disco; Alexis Taylor, vocalista do Hot Chip em Bad Blood, Jamie Lidell (despercebido), a gordinha nervosa Beth Ditto do The Gossip em Cruel Intentions (já postada aqui), o vocalista dos Super Furry Animals, Gruff Rhys, entre outros.


Vídeo de Audacity of Huge, assinado pela designer Kate Moross, que também fez a lindíssima capa

Temporary Pleasure tem muito mais de tech-house do que seu antecessor Attack Decay Sustain Release, de 2007 - saindo dos riffs minimalistas de 10000 Horses Can't Be Wrong e Ambulance. Mas a idéia que fica é aquela festa em que cada um leva seu iPod, notebook ou pendrive para fazer seu próprio som: Synthesise carrega um electro forte, Cream Dream e a ótima Pinball, com a banda Telepathe, são divertidíssimas, Cruel Intentions que não é a melhor de Beth Ditto mas ótima para os fãs de La Roux, Bad Blood tem um mambo esquisitinho mas é melhor que o hip hop escocês (?) dos Young Fathers em Turn Up the Dial, a pior do álbum, electro e rap não combinam.

Num álbum cheio de gêneros e um guest list invejável, nenhuma faixa chega aos pés da sexy Hustler (um dos melhores clips ever) e outros hits como I Believe e Sleep Deprivation. Nota 3 de 5. Melhor um prazer temporário do que prazer nenhum, certo?

21.7.09

Noisettes - Wild Young Heart

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A delicadeza do pop dos anos 60, o som pesado do rock e o suingue do soul estão presentes no segundo álbum do trio londrino Noisettes, onde ganham reconhecimento depois do lançamento do primeiro disco What's The Time Mr. Wolf? de 2007, mergulhado num punk pop gritante. A mudança para a leveza já é evidente na faixa acústica que abre Wild Young Heart, Sometimes, na qual a vocalista e baixista Shingai Shoniwa mostra que também sabe ser sensível, uma das melhores do novo CD.



Impossível não lembrar da voz (e da cabeleira) marcante de Amy Winehouse, mas as comparações terminam por aí e o som mais pesado vem no single funky Don't Upset The Rhythm (viciante que até enjoa). Variando entre o pop gracioso, temos músicas como a excelente 24 Hours (lembrando muito The Ronettes), on repeat total; o soul delicioso Never Forget You.

As mais agitadas também são ótimas: a faixa-título Wild Young Heart que parece ter saído de um musical; a tudo-para-ser-hit Beat of My Heart (nervosa), Saturday Night, um pop fácil e moderno. Baixe logo aí do lado!

25.6.09

The Asteroids Galaxy Tour - Fruit

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Asteroids Galaxy Tour: Parecem Ting Tings mas não é

Com o vocal mais cool dos últimos anos, a fofa Mette Lindberg juntamente com backing, tecladista e baixista Lars Iversen são "o perfeito balanço entre diversão e carisma, sem parecer forçado". A banda dinamarquesa teve seu pequeno bang quando Amy Winehouse estava no país e ouviu um demo, depois os convidando para abrirem seus shows locais. A galáxia de asteróides foi crescendo quando o chefão da Apple, Steve Jobs escolheu Around The Bend para ser trilha de um comercial do iPod iTouch (veja abaixo), e que depois virou um EP. Hero, outro single, terminava alguns episódios da série Gossip Girl. Atualmente a banda, que quando se apresentam ao vivo se transforma num sexteto, está em tour com Kate Perry pela Europa.



Fruits, o primeiro álbum, vazou faz pouco tempo e já contaminou nossos iPods com seu som que é uma mistura de funky, soul e electro-pop psicodélico, adicione aí o vocal excentrico de esquelinho de desenho animado de Mette Lindberg! Algumas faixas se sobressaem, como é o caso de Lady Jesus que abre o disco com uma viagem electro psicodélica setentista! Na sequência vem The Sun Ain't Shining No More que lembra muito Duffy, mas numa versão menos chata. The Golden Age é o tipo de música pop que vai te fazer sorrir instantaneamente! Enfim, cada música tem seu próprio charme viciante, descubra por si mesmo e baixe já!


Around The Bend



The Sun Ain't Shining No More

8.6.09

CocoRosie - Coconuts, Plenty of Junk Food

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O que um bom álbum não faz né? Voltamos!
As irmãs francesas Bianca Leilani "Coco" e Sierra Rose "Rosie" lançam mais um EP com inéditas. Coconuts, Plenty of Junk Food já está disponível para download (aí ao lado) e foi feito exclusivamente para vendas nos shows.

O lançamento, sucessor de God Has a Voice, She Speaks Through Me (2008), tem apenas 5 faixas mas é um dos seus melhores trabalhos desde o magnífico álbum Noah’s Ark (2004). O estilo único e lírico das irmãs continua presente em todas as músicas – em especial na deliciosa Happy Eyez – e na abertura de cores da Joseph City e em Spirit Lake, que fecha o álbum experimental e influente delas.



Boa forma de começar a semana com o som fofo delas ;)

2.3.09

As Novas Criaturas do Pop

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Um dos destaques do SetList de Fevereiro foi a banda canadense Creature com o single Pop Culture, que acabou servindo de inspiração para o post, tem um álbum energético que merece ser ouvido. Confesso estar cansado de todo o revival 80’s que vem se acumulando nos últimos anos mas é impossível resistir a certas músicas do debut No Sleep At All (baixe ao lado) tais como Who’s Hot Who’s Not (guardem essa faixa, ela promete bombar), Don’t Be Afraid (o que muitas bandas não tinham revivido dos 80's foram as músicas com conversinhas e diálogos nada a ver - mostra a espontaneidade da banda), as ótimas Brigitte Bardot e It’s Over (o vocal aqui é disputado entre meninos e meninas num rock dançante), praticamente toda a primeira metade do disco – uma mistura de ótimas referências.

Pense em B-52s, Scissor Sisters e Blondie (vide capa) mesclando com um hip hop old school divertido cantado por um japa levando junto o rock para dançar com “a garota mais gostosa que você conhece num biquíni dourado bebendo uma taça enorme de champagne e derramando tudo nela mesma” – essa é descrição no Myspace da banda, ou seja, de cafoninha Creature tem bastante. As baladinhas fofas Property e Star são pra balançar a cabeça de um lado para o outro, e a pretensiosa Last Days Of America dá para curtir se você não prestar atenção na letra, onde falam de toda a ganância pelo poder e dinheiro dos EUA - quem em 2009 é contra a América agora que o pop Obama está na Casa Branca? (risos) Enfim, no fundo Creature é isso mesmo, uma banda revelação pop de primeira, para não ser levada a sério – conceito que se adotado mais vezes pelas pessoas deixaria a vida muito menos irritante – e de irritante Creature não tem nada, pelo contrário, música feita para se divertir em dias de lotação no transporte público. Apenas aperte o play e curta esse som monstruoso.


Pop Culture: Cafonice bem-vinda

6.2.09

Madonna - Doce e Pegajosa

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por Givago Oliveira



Foi se o tempo em que Madonna preparava grandes surpresas em seus espetáculos. Desde 2001 em sua volta aos palcos (ela ficou 8 anos sem cair na estrada, sua última tour foi The Girlie Show - 1993) com a germinal “Drowned World Tour”, a cantora fincou um estilo próprio de se apresentar. Numa Média de 4 blocos temáticos, divididos em intervalos com clipes produzidos especialmente para cada tour, com releituras de músicas menos conhecidas e nem por isso menos importantes em sua carreira.

Outros elementos que sempre se repetem é o flerte ora com a latinidade, ora com o étnico, há sempre o momento Rock Fake com Madonna à frente (não) tocando guitarra, recurso claro para ganhar fôlego. Afinal, tornou-se uma obsessão da cantora, nos mostrar como seu corpo robótico é forte e flexível e suas coreografias simétricas estão quase à prova de erros ou quedas.



Antes, o show era Madonna, cada olhar estava apontado para ela. Apesar dos bailarinos estarem mais evidentes, eles tinham o papel de antagonizar ou serem coadjuvantes de suas epopéias musicais. Hoje, o palco é mais tecnológico e imagético, seus bailarinos são uma extensão do corpo da cantora, tudo é uma coisa só trabalhando para impressionar a audiência.

Bloco Pimp

O show inicia-se com Madonna sentada num trono em forma de M, nas laterais dois “emes” cravejados de brilhantes fazem do palco um Gueto-Star-floor de luxo. É um convite para conhecermos esse mundo madonnico miscigenado. “Candy Shop” alegra os presentes e Madonna é recebida como se auto-proclama: uma Rainha. Sua postura sentada no trono e sorrindo quase falsamente, parece ter a seguinte legenda: - Who’s the queen? A música segue.



Seus súditos deliram com a cafetina em um carrão “antique”, que surge no palco. “Beat goes on” leva todos a uma Nova York, com suingue sonoro dos sucessos da Motown, pastiche é claro, mas não menos charmoso e divertido a seu modo. Numa versão Rock Star uma raivosa Madonna canta “Human Nature”, no telão uma Britney mais conceitual, fica cansada, agoniada e exausta, por estar presa num elevador. A metáfora de que a fama faz você subir, mas quando você é esquecido no topo, é fácil perder a cabeça. Funciona.



Intro de “4 minutes”, mas é apenas um flerte, a próxima música é “Vogue”. Rostos cobertos com renda, fragmentos, sobrepostos aos toques de “tic-tac” sob a melodia – house – hip hop - , nos faz lembrar que o hit hedonista, celebra a liberdade de ser quem você é, já tem 18 anos. A coreografia street e o visual andrógino não lembram quase nada o glamour dos velhos tempos, aqui a mensagem é: “o tempo esta passando e você precisa trabalhar seu corpo, veja a beleza em fragmentos e continue acreditando em você mesmo”.

Madonna desaparece e um ringue de luta livre traz dois dançarinos em ação. No telão lá esta ela, lutando contra si mesma. As imagens são lindas e “Die Another Day” é o prelúdio do bloco mais festejado do show. O bloco Anos 80.



Nos telões imagens dos desenhos do artista gráfico Keith Haring (que foi amigo de Madonna, e faleceu em 1990 vítima da Aids). Precursor da “arte grafite”, seu trabalho faz um excelente pano de fundo aos “early years” de Madonna em NYC. Estamos dançando “Into the Groove”, quem vem com roupagem nova. A versão cantada no show contém samplers de um remix da música “Toop Toop” do Cassius. O figurino é colorido, Madonna divertida pula corda, dança e evoca a galera, até cair no chão exausta, enquanto barulhos de um coração pulsando ecoam pelo Morumbi. É “Heartbeat”, na mesma versão do álbum. No telão imagens de eletrocardiogramas são exibidas, a cantora desce até o chão onde deita e simula uma masturbação bem contida. Ela volta a empunhar sua guitarra e canta “Bordeline”, o estádio em coro canta junto. A nova versão rocker é pegajosa.



Começa “She’s not me”, com uma irada Madonna tirando satisfação com as bailarinas que surgem como clones dela mesma. No final a cantora beija uma delas e o público adora. Acordes de “Last night a Dj saved my life” emocionam o público. Com samplers de “Put your hands for a Detroid”, a sensacional “Music”, esta de roupa nova. Nos telões imagens de grafites e um trem que traz os bailarinos de volta, todos dançam enlouquecidamente. O trem volta e os leva de volta.

Samplers de “Rain” sobrepostos ao hit da banda “Eurythmics”, “Here Comes The Rain Again”, no telão um ser é criado e vai morar num jardim e encanta-se com a natureza. Dançarinos com uma vestimenta japonesa dançam de forma robótica numa coreografia hipnótica. Vai ficar sensacional no DVD oficial.

Bloco Gypsy

As luzes do palco se apagam. Na ponta da passarela os telões em formato cilíndrico encobrem a cantora. “Devil Wouldn’t Recognize You”, Madonna canta sofrida e o clima é soturno e as imagens gráficas de chuva são um deleite visual. Segue “Spanish Lesson”, a boa coreografia e as imagens gráficas do telão, não são capazes de animar, a pior canção gravada pela artista em anos, mas Madonna doa-se ao máximo. Segue “Miles Away” e o público celebra. “La isla Bonita” que é outro ponto alto para os não - fãs, a versão requentada do Live Earth, anima, as imagens de mosaicos são bonitas e todos adoram “saber cantar a letra”. “Doli Doli Doli” e fomos comprar um milho, mas chegamos a tempo de ver Madonna emocionada cantando a bela “You must love me”, clima ternurinha no ar.



Segue o vídeo de “Get Stupid”, muito parecido com o vídeo de “Sorry” da Confessions Tour. È o momento politizado, e assim como Bono Vox a mega star, peca por excessos e por chover no molhado. Mas ninguém se importa, as imagens são boas e a música também. Koyanisqtsi remix é tudo.

Bloco Rave



Madonna segue num figurino horrendo, porém com uma franjinha que já é tendência no mundo da Moda. Blocos movimentam-se pelo palco e Justin Timberlake parece dançar ao vivo com a diva. Curioso é que o estádio não vem a baixo com “4 minutes”. Mas eis, que surgem letras hebraicas com frases cabalísticas e sim, é “Like a Prayer”, com remix inédito ao vivo e a cartase é geral. “Ray Of Light” é executada como na Confessions Tour e o público estende a emoção. Ela dá uma pausa e conversa com o público, baba ovo por São Paulo e canta “Like a Virgin” a capela e manda ver “Hung Up” numa versão nervuda e rocker. Muita gente reclama, nós do iPod aprovamos. Chega “Give It 2 Me”, Madonna com óculos oitentinha e imagens de vídeo game antigo no telão, ela e sua trupe dançam até a exaustão. Até que vemos abruptamente a inscrição: “Game Over” no telão.



Ela agradece quase que tímida e as luzes do Morumbi se acendem. Toca “Holiday”, e estamos todos com os olhos umedecidos. Sim, é verdade o maior espetáculo da terra acabou de acontecer na nossa frente.

Como num filme Madonna e sua Tour “mais família”, mostra que ela é doce e dura, que gosta de dançar, que não vai parar por críticas azedas de pixadores desconhecidos, mas que sente o tempo passar e que mesmo assim ela continua “sendo”. E que sim – A década de 80 foram os anos mais importantes de sua carreira e foi onde tudo começou: a dança, a construção da sua imagem e suas transmutações e que se sente ligada ao mundo fora das fronteiras de seu reinado e por fim tenta nos alertar que é preciso antes de tudo: dançar, cantar, criar e criticar, mas sem perder a lucratividade.

30.1.09

O Curioso Caso de Benjamin Button

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Do curto conto de Fitzgerald, David Fincher cria toda uma vida para Benjamin Button




Benjamin Button nasceu numa condição especial: veio ao mundo velho, doente e quase morto. Visto pelo pai como uma aberração foi largado a porta da casa de Dorothy Baker (Faune A. Chambers numa atuação digna de prêmios), que tem já experiência em cuidar de idosos, foi recebido como um milagre. Benjamin ao invés de envelhecer vai rejuvenescendo e ao mesmo tempo sendo educado, como uma criança normal. Apesar de ser especial tem uma vida comum. Na adolescência conhece Daisy, que reconhece na hora o espiríto jovem do corpo envelhecido de Benjamin e logo viram almas gêmeas - mas sua condição trará empecilhos que juntos tentaram vencer enquanto Daisy (a magnífica Cate Blanchet) envelhece normalmente e Benjamin (Brad Pitt) vai ficando cada vez mais jovem.

O filme escrito por Eric Roth, com base no conto homônino de F. Scott Fitzgerald aproveita o mesmo fundo de história de Forrest Gump, filme ganhador de Oscar em 1994, também escrito por ele - situação chata que broxa um pouco (veja o trailer feito pelo site de humor Funny Or Die abaixo e perceba toda a semelhança).



Aí que aparece o diretor David Fincher (Clube da Luta, Zodíaco, Seven) para salvar o roteiro já visto antes em algo inédito em sua filmografia - uma boa fábula. Diferente de seus outros filmes, esse que merece destaque mais pela técnica, Fincher se aventura no roteiro preguiçoso de Roth criando cenas lindas, aproveitando de efeitos especiais e maquiagens incríveis (o bebê envelhecido é assombrante), que Fincher maneira de forma sutil para não sair do realismo, ilustrando diálogos poéticos e filosóficos sobre a passagem do tempo em nossas vidas.

O destaque maior para o filme é a direção de arte fortemente inspirada na história da tecnologia audiovisual: a história de Button começa em 1918 com uma fotografia levemente sépia; sem antes passar por uma introdução linda com imagens de vídeo especialmente desgastadas pelo tempo ao contar a história de um relógio que anda para trás - forte metáfora para o curioso caso de Benjamin Button; no decorrer da história as cores aparecem e tem um ápice animado no período beatnik, ganhando um toque clássico quando os dois amantes se encontram em feições iguais (momento memorável entre os dois atores principais) chegando até o final acinzentado de uma New Orleans antes do Katrina.



Ótima é a definição do próprio Fincher sobre o filme que recebeu 13 indicações ao Oscar: É um filme sobre as relações que experimentamos ao longo da vida, confrontadas com a perda dessas relações. Sobre as marcas que deixamos uns nos outros quando nos encontramos pelo caminho. Sobre dor, alegria, amor e remorso.

Nota

19.1.09

Terça Insana - Ventilador de Alegria

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O novo DVD do espetáculo de humor Terça Insana, Ventilador de Alegria foi lançado recentemente depois de um hiato de sucesso grandíssimo em relação ao primeiro DVD do grupo. Por ser um item indispensável muitos pediram pelo relançamento do show e por um novo espetáculo gravado, e pela antiga gravadora fechar, vários problemas dificultaram o lançamento de um novo DVD com os quadros impagáveis do Terça Insana. Com muitos usuários disponibilizando trechos das apresentações no YouTube, logo o espetáculo virou febre da internet, graças a apresentações da diretora e roteirista Grace Gianoukas, Roberto Camargo, Octávio Mendes, Luis Miranda, entre outros. Esses dois últimos ficaram de fora do novo DVD, foram contratados pela Globo afim de fazerem humor com frases de efeito repetidas toda semana e logo, ficaram na geladeira.

Mas no novo show - agora com um tema mensal - a trupe insana está mais madura, afiada e melhor do que nunca e ganhou reforços talentosos e inteligentes que é o caso de Agnes Zuliani. A atriz comediante rouba a cena com ótimos personagens que refletem o cotidiano e a história nossa, sempre com destacáveis textos inteligentes. Agnes utiliza sua formação de historiadora como base de seus personagens, como por exemplo, a durona saudosista e esclerosada Senadora Biônica, e seu destaque maior, Carlota Joaquina (veja abaixo). Destaque também para a Mal Amada.



Outro destaque de Ventilador de Alegria é Marco Luque, que além da simpatia em co-apresentar o programa CQC com Marcelo Tas e Rafinha Bastos, aqui nos mostra um surpreendente talento delicioso de comediante (e desperdiçado no programa da Band) em destacar o melhor e o pior de diversas profissões urbanas, com personagens como Motoboy (que ficou de fora do DVD), o Taxista e a incrível diarista Mary Help (odeia ser chamada de Maria do Socorro, seu nome verdadeiro).

Grace Gianoukas ainda é a diretora e roteirista do show e retorna com personagens novos, fazendo a gente ter saudade das geniais Cinderella, a traficante e Aline Dorel, a atriz de filmes cult que é chegada num lexotan. Os novos personagens não desapontam, pelo contrário: a mulher independente é um retrato fiel e engraçadíssimo da mulher casada contemporânea e a Santa Paciência, um espírito de luz criado por Deus a fim de ajudá-lo com suas criações. Roberto Camargo também volta (impossível imaginá-lo fora do show e ao lado de Grace) com a clássica Betina Botox (agora emo) e o engraçadinho Cupido - reclamando de como é difícil fazer as pessoas se apaixonarem no mundo atual.

Terça Insana, Ventilador de Alegria está disponível para compra em diversos sites e lojas do ramo, no UOL Humor com Confissões Insanas e ao vivo no Avenida Club em Pinheiros, todas as terças.
Mais informações: www.tercainsana.com.br

15.1.09

2009 Já Começa com Bons Lançamentos

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Enquanto não blogavamos como se fosse 2002 muita coisa surgiu por aí e enquanto elaboramos nossa listinha de melhores do ano passado (em breve aqui) já começamos a ouvir muita coisa para se dar destaque logo no início de 2009. É o caso de The Crying Light de Antony and The Johnsons (já disponível aqui no iPod) e Merriweather Post Pavilion do Animal Collective (link nos comentários).



The Crying Light continua com a mesma intensidade emocional de seus álbuns anteriores, como o último e já obrigatório para qualquer fã de boa música, "I'm a Bird Now", de 2005. Antony e seus Johnsons lançaram ainda em 2008 uma prévia de Crying Light: o EP Another World, também primeiro single e presente no álbum, uma canção onde Antony canta quer ir para outro mundo, mas que sentirá falta de certas coisas que só encontra por aqui, positivismo sutil genial - mas não deixem de baixar o EP, pois uma das melhores músicas de Antony desde Fistful of Love, com um começo falado, como se fosse uma reclamação, Shake That Devil se volta para uma mistura ritmica com saxofones inspirados num texto exorcizante - uma pena ter ficado fora da versão final de Crying Light. Como não paro de ouvir, fica difícil escolher uma faixa preferida, porém já deixo o destaque para Epilepsy is Dancing (que título lindo) e Kiss My Name. Impossível não comentar a arte de Crying Light tão inspirada quanto a de I'm a Bird Now, a mais famosa foto do fotógrafo Peter Hujar "Candy Darling on Her Deathbed" na qual retratava a queridinha de Andy Warhol Candy Darling em seu leito de morte. Na capa de Crying Light se encontra o dançarino japonês Kazuo Ohno numa pose dramática - o álbum é dedicado a ele, segundo Antony.

Nota




Depois do "fiasco do bem" que foi o show deles no Planeta Terra 2008, Animal Collective volta com mais um álbum. O sucessor do incrível Strawberry Jam, um dos melhores álbuns de 2007 é Merriweather Post Pavilion e é igualmente bom e mais ainda experimental, mas com equilíbrio. Diferente dos primeiros trabalhos da banda, ultimamente eles vem misturando criações mirabolantes com músicas mais acessíveis, como foi o caso de Strawberry Jam, com singles como Peacebone e Fireworks. Já ditos pela crítica como o primeiro grande álbum do ano, MPP sim é um álbum que merece destaque - pela inovação que a banda sempre trás através de músicas surreais, tons hipnóticos e psicodélicos - poucos álbuns trazem na capa uma sensação visual semelhante a auditiva - um som literalmente alucinante a ser digerido sem pressa. Destacamos: Guys Eyes, My Girls, No More Runnin (parece que você está voando), Lion In a Coma e Brotherspot, essas duas últimas sem dúvida as melhores do disco. Não ouça esse álbum ao efeito de drogas é o que dizem por aí.

Nota