Berlim Surta. "Tropa de Elite" desbancou os favoritos "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, e a comédia "Happy-Go-Lucky", de Mike Leigh. Estou pasmo. Aqui no Ipod nós definimos essa bobagem como “Didi mocó visita Cidade de Deus”. Eu penso que poderíamos dar uns subtítulos pra “Tropa de Elite como: Perdidos no Rio ou Uma Tropa da Pesada. A vida é uma piada, não é mesmo? E tem gente ainda querendo estabelecer perfis, notas, cotações e utilizar fenomenologia para agrupar coisas.
Fevereiro foi um mês calmo. Não em relação em quantidade de músicas novas, mas sim de gênero. O set começa agitadinho com a ótima Girl Thing e no decorrer vai ficando bem tranquilo, envolvido em som folk, indie até chegar na linda Turtle Island. Como Retrotrack tem o cover de I Will Survive que o Cake fez e está presente no surreal filme Survive Style 5+. Destaque do mês: Sebastian Tellier com Divine (em breve o review do álbum, já comentado aqui.).Outros ponto altos: o primeiro single do novo Devotchka e Destroyer, assim como a deliciosa Heaven da banda Ssion (pronuncia-se Shun).
Três filmes estão nos chamando a atenção são eles: "Happy-Go-Lucky" do Mike Leigh (Vera Drake e o sensacional Segredos e Mentiras). Foi mega aplaudido no festival em Berlim. Sally Hawkins representa uma professora primária solteira em Londres, Poppy, que não se deixa contagiar pelo mau-humor de seu instrutor de direção rabugento, sua professora de flamenco dominadora, um balconista mal-humorado numa livraria ou sua irmã, grávida e infeliz. São a fauna de personagens criadas por esse excelente diretor. Os filmes de Leigh são sempre realistas e tristes. Fiquei curioso em ver ele dirigindo uma comédia. Ele flertou com algum humor em Topsy Turvy (muito bom).
Outro filme é "Plus Tard Tu Comprendras" do diretor Amos Gitai, apesar de uma cinematografia irregular, marcada por um discurso panfletário esse filme chama atenção por ter a Elegante Jeanne Moreau (hoje com 80 anos) e fala sobre a dificuldade de uma personagem em depor sobre o Holocausto. Segundo o diretor não se trata de um filme sobre a Segunda Guerra (ufa!) mas um filme sobre traumas e a introspecção de quem acredita ter vivido no Inferno!
E claro o terceiro filme é o Filme da Madonna: "Filth And Wisdom", que já comentamos aqui no Blog. A crítica malhou mais uma vez a investida de Madonna no mundo do cinema. Eu achei o Trailer sofrível. Os atores parecem atuar tão mal quanto Madonna, é fato. Mas eu ainda vejo esse como um filme qualquer que parece ter uma história boba e legal! Vamos Ver ....
Segundo vídeo para o álbum Last Night (ainda não lançado oficialmente), um disco que ele está chamando de "uma carta de amor para a música dance em Nova York". No clip, um pintinho escapa da morte, passando 10 anos resolve se vingar de grandes franquias de fast food que vendem seus parentes.
Império dos Sonhos (Tit. Original: Inland Empire) Dir. David Lynch
Não tem coisa mais chata do que ouvir os sonhos alheios, afinal por mais que o narrador se esforce eu nunca chego na sensação ou na indagação que esse emissor pretende passar. Agora pegue uma câmera Sony PD-150 e coloque nas mãos de um diretor de cinema que já se tornou adjetivo. Trata-se de “Inland Empire” a última e mais estranha viagem de David Lynch no mundo do cinema.
Lynch não é um estranho para nós afinal foi ele que filmou “Twin Peaks” sem essa série talvez jamais tivéssemos “Lost”, “Law & Order” e “Arquivo X”. Esse diretor faz parte de um movimento (mesmo que sem essa pretensão ou denominação) de artistas igualmente inventivos, conspiratórios e, sobretudo críticos são eles: Chuck Palahniuk (autor de Clube da Luta), David Shrigley (e seus desenhos de crianças assassinas) o projeto musical Aphex Twin ou em alguns autores de mangas. Esse universo bizarro e lúdico esta em toda parte e chega em seu ápice maior na obra de Lynch. Estamos vendo os delírios de uma atriz que sonha, que esta sonhando coisas em relação a sua vida, à de seu personagem e talvez personagens passados. Não podemos chamar de simples sonhos, mas pesadelos, pequenos fragmentos, pequenas cenas construídas de forma aleatória onde o mais interessante é assistir a cada fragmento como uma pequena peça textual imagética isolada. Dentro dessa pequena “peça” a única certeza que teremos em relação as intensões do diretor é que ele se recusa a aceitar que existe qualquer coisa parecida com aquilo que se costuma chamar verdade realista. E logo no começo do filme a personagem de Laura Dern (que esta excelente e merecia muitos prêmios) diz: “Eu não sei o que veio antes ou depois. Não consigo distinguir o ontem do amanhã e isso está fodendo com a minha cabeça”.
Cinismo, conspiração e várias alfinetadas na indústria hollywoodiana não faltam nesse que é o mais nebuloso filme de Lynch desde “Estrada Perdida”. Onde o diretor nos apresenta personalidades afetadas, prolixas, assustadas, enciumadas, enfim recheadas dos sentimentos mais ordinários e corriqueiros do nosso cotidiano. Destaque para a cena onde um personagem sempre se coloca como um pobre coitado e consegue tirar dinheiro de todos os seus companheiros de Set de Filmagem, não que seus colegas de trabalho realmente se importem, mas com certeza prezam por passar uma imagem patética de politicamente correto, o grande mal de nossos tempos.
“Império dos Sonhos” fala da indústria cinematográfica, sobre a traição num relacionamento amoroso, sobre o desejo íntimo de uma atriz atormentada por suas inseguranças, sobre como construímos a nossa auto-imagem social, desestrutura conceitos rígidos de bom e mau comportamento. Isso tudo e não necessariamente nessa ordem e sem nenhuma resposta ou apologia concreta. Se o cinema americano tem que ter um sentido e um ponto final, a obra de Lynch não. E os risos na sala de estar da família coelho devem ser o nosso inconsciente rindo de nós mesmo, tamanha é a expressão de perplexidade dos espectadores na sala de cinema.
Intitulado "RED BLUE GREEn +", era para ir ao ar no último webcast da banda, mas devido a problemas na transmissão, acabou não indo.No vídeo, utiliza-se efeitos imperfeitos para transformar Thom Yorke em formas abstratas e coloridas.
Goldfrapp volta as raízes sem nos causar cansaço. Previsto para chegar no fim de fevereiro o quarto álbum da banda inglesa formada por Alison Goldfrapp e Will Gregory, ele foi todo composto de forma caseira e pelos dois. O resultado é um trabalho homogêneo e linear e nem por isso monótono e repetitivo. Pelo contrário às canções tem cada qual uma identidade muito peculiar, onde um fio condutor etéreo e bucólico ligam as faixas de forma eficiente. Banda que começou com o soturno “Felt Mountain” e depois buscou referências mais pops (“Black Cherry” e “Supernature”), decidem nessa quarta jornada musical um álbum mais regular em sua composição. Segundo os membros da banda, o álbum pode surpreender até mesmo os fãs mais próximos da banda, o que não aconteceu comigo. É inevitável identificar a criatividade da dupla, que permanece cheia de figuras e imagens (eles são muito imagéticos). Elementos como o humor (e algum cinismo), poesia fazem as melodias cintilaram ao compasso que Alison solta sua aveludada voz. Destaque para “Hapiness”. A faixa escolhida para ser o carro chefe não fica atrás “A&E” (que oficialmente, sai hoje junto com um remix feito pela dupla Hercules and Love Affair, já publicado aqui), com um clipe dos mais inspirados, onde a vocalista canta ao meio de árvores bailarinas, num clima nonsense (veja abaixo).Ótimo. No mais, o álbum ainda revelam sintetizadores leves, aqui tudo tem um peso comedido e instrumentos ressoam acusticamente de forma que a levada eletrônica flerta com o dreampop, vide a faixa: Road to Somewhere. Indispensável.
Ia postar os vencedores do Grammy mas fiquei com preguicinha... enfim, parabéns Amy, cada dia que passa mais subdesenvolvida (viciada em crack e com visto negado).
Trio francêsque implora por não receber pré-definições de estilo, é uma delicia e por váriosmotivos eu posso dizer, que a banda vai acabar estourando pelos Ipods mais antenados. Meio Cds, meiorockers, meio disco eles saíram dos subúrbios mais trashs da França, para bombarnos cyberespaço. Enquanto as novas bandas juram por Iggy Pop, Ramones e qualquer banda 70tista por ai, Fancy tem um pé no metal (ui) com um vocal utra sexy eafetado, mas que de forma nenhuma soa enjoativo. Uma das bandas queridinhas daslistas mais cools de 2007. Fancy é diversão barata e bem humorada, mesmo que rápida.
Nesse curta, dois amigos criam uma aposta para fazerem uma imitação de "seus melhores Jaggers" em qualquer hora e qualquer local, caso contrário, sofrem as consequências.
Tim Burton e Johnny Depp junto de novo? Sim, desta vez num musical extraordinário baseado no famoso musical de mesmo nome. Johnny Depp (indicado ao Oscar de Melhor Atuação) é Sweeney Todd, barbeiro de Londres que, pela inveja sentida pelo juiz Turpin (Alan Rickman) perde esposa e filha e é deportado para longe. Passados quinze anos, Sweeney regressa incentivado pela vingança e se junta a Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter) que vende as piores tortas de Londres numa loja abaixo da barbearia de Sweeney, daí ambos se vingam pelas amarguras da vida e principalmente pela selvageria social de uma cidade escura, fria e má acolhedora até mesmo para os próprios filhos.
Ainda com toda a cinematografia escura brilhante, essa parceria Burton-Depp poderia se transformar em algo estranho (terror com musical?) e algo do tipo “nós já vimos isso antes”, quando Depp foi dirigido por Burton em filmes como Edward Mãos de Tesoura, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e A Noiva Cadáver, onde todos esses filmes tiveram uma nuance gótica.Mas a semelhança dos personagens é bem mais do que superficial: todos são personagens incompreendidos (mesmo com a parceria em seus planos vingativos, Mrs Lovett ainda não é totalmente verdadeira com ele).
Direção mais uma vez magnífica e muito madura, história que te leva por canções envolventes e performances incríveis (participação de Sascha Baron Cohen, o Borat!), Tim Burton transforma uma violência gritante com muito sangue em algo tenro num final maravilhoso.Imperdível.
Video da banda indie British Sea Power para a música No Lucifer. Imagens bizarras e grotescas com marionetes infernais, da própria coleção do baixista Neil Wilkinson, que também dirige o clipe. Do álbum "Do You Like Rock Music ?" que saiu em janeiro, No Lucifer, junto com Atom, Waving Flags e We Close Our Eyes são as melhores faixas.
Onde os Fracos Não Têm Vez (Tit. Original: No Country For Old Men) Dir: Joel e Ethan Coen
Onde os Fracos Não Têm Vez, roteirizado do livro de Cormac McCarthy pelos próprios irmãos Coen, começa quando o insignificante Llewelyn mirando com seu rifle um animal (que mais tarde se tornaria a caça) encontra numa caminhonete abandonada no deserto uma maleta com muito dinheiro cercado por corpos que formam uma chacina. Com isso começa uma fuga para lugar nenhum perseguido pelo enigmático, ultra violento e inteligente Anton Chigurh (Javier Bardem, numa atuação perturbadora), um dos personagens mais marcantes dos últimos tempos. Esse assassino profissional (sua arma é muito original, uma pistola que libera fortíssimos jatos de ar) também é perseguido pelo xerife Ed (Tommy Lee Jones, ótimo). Segue aí cenas de pura violência, tensão e diálogos cínicos, porém nunca hipócritas.
A direção soberba dos irmãos Coen (do genial Fargo) nos leva à tensão, perseguição arrepiante, resultando num desfecho inesperado e totalmente anti-hollywoodiano. Toda a interessante personalidade do vilão que decide a vida de suas vítimas através de cara ou coroa, um código de ética que só funciona em sua mente, o que o leva ao êxtase numa cena marcante em que sufoca um homem e só encara o teto. No Country For Old Men é um filme complexo, porém passa tranquilamente, tratando da violência de forma natural enquanto o filme se desdobra. Indicado a oito Oscar, incluindo melhor filme, melhor direção, melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante para Javier Bardem, o filme estréia hoje em São Paulo. Imperdível.
Nota: /5
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